A inflação é a pior inimiga das pessoas que trabalham, poupam e investem. Ao mesmo tempo a inflação é a maior amiga dos governantes.

Embora as pessoas percebam a inflação pelo aumento de preços, o que ocorre na verdade é uma desvalorização da moeda. Se a moeda vale menos, precisamos de mais moeda para comprar as mesmas coisas. Dessa forma, a inflação é um efeito visível do aumento de dinheiro em circulação (expansão monetária), pela impressão de moeda ou aumento da oferta de crédito (dinheiro emprestado).

Nunca podemos esquecer que dinheiro é apenas uma “tecnologia” que facilitam as trocas de bens e serviços. O dinheiro só deveria ser criado quando bens e serviços fossem criados para serem trocados pelo dinheiro. O trabalho que você realiza é um serviço. Em troca do trabalho você recebe o dinheiro que vai facilitar a troca desse tempo trabalhado por outros serviços e bens que você precisa para viver.

Existe uma quantidade X de dinheiro e uma quantidade Y de bens e serviços disponíveis que facilitam as trocas. Se por algum motivo o governo cria mais dinheiro do que deveria e o coloca em circulação sem que ocorra aumento na quantidade de bens e serviços, temos como consequência um aumento dos preços.

Sendo assim é muito importante entender que a inflação não significa que as coisas estão mais valorizadas. Os bens não estão valendo mais. É o dinheiro que está valendo menos.

Dessa forma, o aumento generalizado de preços (inflação) não é culpa dos donos das empresas. Os preços sobem por existir escassez de produtos em relação ao excesso de dinheiro circulando sem lastro (sem riquezas criadas para esse dinheiro existir).

É o governo de cada país, por meio do Banco Central, que tem o monopólio da produção de dinheiro ou de mecanismos que resultem em algo equivalente a produzir moeda a partir do nada.

O valor do nosso dinheiro está diretamente relacionado a quantidade de riquezas que o país produz (todos os bens e serviços criados pelas empresas e pessoas todos os dias).

Inflação é imposto

Infelizmente a inflação acaba funcionando como um imposto invisível.

Imagine uma grande panela de feijoada com feijão e água suficiente para alimentar as 4 pessoas da sua família. O problema é que você acabou de receber a visita de um casal de amigos com os seus dois filhos. Agora são 8 bocas para a mesma feijoada. Se você colocar mais água na feijoada, ela ficará aguada e não matará a fome das 8 pessoas. O ideal seria produzir mais feijoada e não por mais água na panela.

O governo é aquele que coloca água na feijoada. As pessoas são aquelas que trabalham para produzir o feijão. Quando o governo gasta só o que arrecada, ele gasta o feijão que ele toma das pessoas que produzem feijão. Ele faz isso através da cobrança de impostos. Já quando o governo gasta mais do que arrecada ele está colocando água na feijoada de todos nós, ou seja, ele está adulterando a feijoada ao reduzir o seu valor nutricional.

Com o dinheiro é a mesma coisa. Cada nota de real que o governo produz ou cada nota de dinheiro que o um banco empresta, enfraquece todo dinheiro que está circulando na economia, incluindo o dinheiro que está no seu bolso e nos seus investimentos. Se nenhum feijão for adicionado, a feijoada ficará cada vez mais fraca a medida que a água for adicionada. Assim ocorre quando o governo cria dinheiro e os bancos oferecem mais empréstimos do que deveriam.

O que a inflação acaba fazendo é tirar valor do seu dinheiro, tirar poder de compra ou o equivalente a tirar dinheiro do seu bolso sem você perceber.
Quando o governo emite dinheiro para gastar mais do que arrecada ele está produzindo inflação que por consequência equivale a se apoderar do valor do seu dinheiro como se fosse um imposto ou até mesmo um roubo.

Não preciso dizer que a inflação é o pior tipo de imposto que existe já que ninguém o percebe como culpa do governo.

A única forma que existe de amenizar os efeitos destruidores da inflação na sua vida financeira é evitar os exageros no consumo. Sem ostentações e desperdícios você poderá poupar mais, investir mais e reduzir o impacto da inflação já que diversos investimentos oferecem ganhos acima da inflação ou pelo menos amenizam o seu efeito.

Os governos só deveriam gastar aquilo que arrecadam, pois a arrecadação de impostos, muitas vezes, é sobre ganhos que as pessoas e as empresas conseguem ao produzir algo de valor para realizar trocas (comércio). Se governos precisam de mais dinheiro eles deveriam elevar impostos, mas isso acaba gerando desgastes políticos. As pessoas ficam mais exigentes com os políticos quando eles cobram mais impostos. Nenhum político gosta de ficar conhecido como aquele que aumentou impostos para poder gastar mais, roubar mais ou simplesmente desperdiçar mais dinheiro como muitos já fizeram. Então os políticos preferem gastar mais do que arrecadam gerando a inflação que funciona como um imposto. Geralmente os políticos usam esse dinheiro novo para distribuir esmolas, benefícios, subsídios e outras “bondades” em troca de apoio popular.

Quando o governo gasta mais do que arrecada, distribuindo “bondades” ele fica com o mérito de ser um bom governo. Quando isso produz a inflação é normal que os governos culpem os empresários e fatores externos. Você pode ver o exemplo de um presidente de um país vizinho chamando os empresários de patifes, já que segundo ele, os empresários são culpados pela inflação (fonte). Os políticos sabem, mas escondem, que por dinheiro na economia sem que produtos e serviços sejam criados, os preços sobem (fonte).

A inflação é igual a expropriação de riqueza da sociedade pelo Estado. Equivale a um saque que geralmente é utilizado para empobrecer todos e enriquecer o Estado para seu fortalecimento de controle e poder (Exemplos atuais: Argentina e Venezuela). A inflação é uma ferramenta de grande utilidade para alguns tipos de políticos. É por este motivo que geralmente eles não gostam de nada relacionado a responsabilidade fiscal, controle de gastos e teto de gastos.

Um exemplo prático de como a inflação é produzida pode ser observada no ciclo de inflação que está afetando todos os países do mundo depois da crise de 2020. Os governos de todos os países resolveram parar a economia. Os comércios foram fechados, muitos serviços pararam e várias indústrias pararam de funcionar durante parte do ano de 2020. Ao mesmo tempo os governos de todos os países começaram a enviar dinheiro para as famílias e empresas. No Brasil e em muitos países a arrecadação de impostos foi adiada por alguns meses. Na prática o mundo foi inundado por dinheiro sem a existência de produtos e serviços suficientes. A inflação mundial nada mais é do que a destruição do valor do dinheiro, como aquele que coloca água na feijoada e a enfraquece.

Mesmo fora de calamidades, como a ocorrida em 2020, existem políticos, partidos políticos e ideologias que defendem o fortalecimento do Estado através do aumento de gastos públicos e geração de inflação. Seria uma forma de “revolução”, com o objetivo de destruir o sistema baseado na produção de riquezas e acúmulo de capital de tal forma que todos possam depender mais do governo.

Veja um exemplo do que acontece neste momento na Alemanha:

Em decisão recente, para combater a inflação, criada pelo próprio governo, eles resolveram criar e distribuir mais dinheiro sem lastro para a população. Além disso, eles querem controlar o preço da energia elétrica e limitar os ganhos das empresas do setor. Isso já aconteceu no Brasil produzindo sérias consequências para o setor no passado, que depois foram repassadas para o preço da nossa energia.

Por este motivo, antes de votar em qualquer político é muito importante ler o programa de governo do partido desse político. Você verá que muitos partidos possuem ideias revolucionárias em seu programa, possuem como objetivo aumentar o tamanho do Estado, aumentar a cobrança de impostos, acabar com mecanismos que impedem o governo de gastar mais do que arrecada, como o Teto de Gastos.

Quer ver o exemplo? Logo abaixo você tem o item 51, na página 16, do programa de governo de um candidato qualquer para presidente nas eleições de 2022:

Isso é o exemplo de um programa de governo que tem como compromisso acabar com o teto de gastos, um mecanismo criado depois do último Impeachment com o objetivo de limitar os gastos públicos, ou seja, evitar que o governo gaste mais dinheiro do que arrecada tendo como consequência a inflação.

Como falei, a crise de 2020 foi um ótimo exemplo de como a inflação funciona. Na crise de 2020, por ter sido considerada uma calamidade pública, ocorreram gastos adicionais sem considerar o teto, ou seja, uma espécie de flexibilização emergencial mas que não impediu a forte inflação no Brasil e em todos os países onde o mecanismo foi utilizado.

Para praticar, siga os passos para acessar o programa de governo do seu candidato para presidente.

Visite o endereço:
https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/estados/2022/2040602022/BR/candidatos

A lista está em ordem alfabética. Clique no nome do candidato que você deseja pesquisar. Você verá uma página padrão como a figura abaixo. Veja a localização do plano de governo na página:

Infelizmente os políticos são os agentes com o maior poder de interferência na sua vida financeira. A história está repleta de exemplos de políticos que saquearam seus países até a total destruição da economia. Votar sem ler e sem entender os planos de cada político é um ato de autodestruição e irresponsabilidade.

É muito importante que você priorize o acúmulo de recursos próprios e investimentos como uma grande reserva de segurança. Aprenda mais sobre os investimentos para proteger o seu patrimônio. Estude mais sobre os 133 anos de República e veja a enorme confusão que temos desde então. Tudo indica que a confusão só tende a piorar já que muitos grupos se sentem cada vez mais ameaçados pela propagação de informações na internet.

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