Os seus investimentos e todos os demais aspectos da sua vida são constantemente afetados pela “Lei das Consequências não Intencionais”.

Entender como isso funciona é fundamental quando você toma decisões sobre o seu dinheiro ou quando a sua vida financeira sofre as consequências das decisões dos políticos e outras pessoas com poder.

Toda ação humana resulta em consequências imediatas e uma série de outras consequências indiretas que se manifestam lentamente por muito tempo.

As primeiras consequências imediatas após uma decisão são fáceis de prever e geralmente são boas. Atingir essas consequências boas e previsíveis é justamente a intenção da ação humana com o propósito de resolver um problema.

Só que as demais consequências podem ser inesperadas e difíceis de prever. Por este motivo essas consequências são chamadas de  “consequências não intencionais”. As consequências não intencionais podem ser muito ruins e as vezes até piores que o problema que se tentou resolver.

Em outras palavras, uma decisão que parece boa por gerar um efeito imediato bom pode desencadear uma espécie de “efeito cascata” ou “bola de neve” de consequências muito ruins. Aqui começa a nossa reflexão.

Muitas vezes decisões aparentemente boas no mundo da política e da economia, tomadas por pessoas aparentemente bem-intencionadas, produzem consequências muito ruins no futuro, que não eram pretendidas mas que deveriam ter sido previstas.

Na minha opinião a grande falta de entendimento sobre esse problema das consequências não intencionais é grave e coloca a vida de todas as pessoas do mundo em sério risco

As pessoas geralmente confiam e entregam muitos poderes nas mãos de terceiros (políticos, instituições, empresas etc.) que tomam decisões que impactam suas vidas no presente, movidas por boas intensões, mas sem nenhum cuidado com as consequências dessas decisões no longo prazo.

A história da humanidade está repleta de exemplos de consequências desastrosas não intencionais.

Muitas vezes a publicação de um simples livro, repleto de teorias aparentemente bem-intencionadas sobre como as pessoas deveriam ser e agir resultaram em grandes guerras e genocídios.

A ideia de “forçar a construção de um mundo melhor” historicamente resultou na construção de um mundo muito pior devido a lei de consequências não intencionais.

O problema acontece quando as pessoas detentoras de poderes resolvem criar teorias, ditando novas regras e novas verdades para alterar sistemas complexos e muito antigos relacionados com o comportamento humano, principalmente o comportamento econômico que envolve o dinheiro, oferta, demanda, trabalho, investimentos e negócios.

A complexidade do ambiente econômico torna impossível prever todas as consequências diretas ou indiretas da ação humana. Não temos onisciência, mas infelizmente a nossa arrogância nos impede de perceber essa nossa incapacidade de agir com consciência sobre todas as consequências, principalmente as não intencionais.

O comportamento humano e as relações que mantemos entre as pessoas são sistemas complexo. A natureza é um sistema muito complexo. A economia é um sistema ainda mais complexo já que estuda o comportamento humano na busca pela satisfação de suas vontades (que são ilimitadas) diante de recursos naturais limitados e condicionados pela própria natureza.

Sempre aparecem pessoas bem-intencionadas criando teorias sobre como as pessoas, a sociedade, governo e a própria natureza deveria ser para que tudo fosse perfeito.

Logo depois aparecem outras pessoas que se agarram a essas teorias e, de forma aparentemente bem-intencionada, tentam reconstruir o mundo, forçando a mudança das outras pessoas, da sociedade e de tudo que existe a nossa volta. Geralmente essas pessoas são movidas por uma espécie de “instinto heroico” que as fazem imaginar que precisam reescrever a história, na busca de um mundo ideal e perfeito que nasceu na cabeça de alguém, mas que muitas vezes não se aplica no complexo mundo real.

Frequentemente boas intensões podem resultar no agravamento da situação inicial ou em consequências inimagináveis, muito piores do que o problema original. Filósofos, políticos, economistas e religiosos se destacam na criação de teorias sobre como as coisas deveriam ser, sempre movidos por boas intenções. Logo depois aparecem pessoas de todos os tipos (bem-intencionadas e mal intencionadas) tentando impor as teorias (muitas vezes simplistas) no mundo real, que sempre é altamente complexo gerando consequências não intencionais desastrosas.

Até aqui você deve estar sentindo falta de alguns exemplos práticos.

Eu poderia citar muitos exemplos de teorias criadas por intelectuais, que passaram a vida trancados em um cômodo pequenos e escuros nos séculos passados escrevendo sobre como a economia e as pessoas deveriam ser para que o mundo fosse melhor, sem qualquer preocupação com as consequências não intencionais. Poderia listar ainda mais nomes de pessoas que leram essas teorias e depois tentaram forçar a mudança do mundo, como se fossem salvadores, sem qualquer entendimento sobre a complexidade do mundo e o problema das consequências não intencionais.

Não vou listar nomes e situações, mas vou ilustrar este artigo apresentando esse conceito através da ficção.

Os livros de ficção e os filmes estão repletos de personagens bem-intencionados que querem forçar a construção de um mundo melhor, mas logo fica claro que existem consequências inesperadas muito ruins que atingem a individualidade e a liberdade das pessoas que talvez não concordem com esse “mundo melhor” já que existem consequências muito ruins.

Você já deve ter percebido que essas pessoas que querem forçar a transformação do mundo geralmente são chamadas nos cinemas de vilões sendo que na maioria das vezes elas se enxergam como heróis.

Para construir um mundo melhor para o coletivo esses personagens costumam atacar a liberdade do indivíduo. É quase como uma regra na construção da história de um vilão. Como esses personagens acreditam que estão construindo um mundo melhor (coletivo), os fins passam a justificar os meios, ou seja, eles acreditam que prejudicar a individualidade se justifica se você acreditar que está promovendo a construção de um mundo melhor “para todos”. Infelizmente uma série de atrocidades já ocorreram na vida real e nos cinemas tendo um bem maior coletivo como justificativa para destruir a individualidade das pessoas.

Veja alguns exemplos da ficção que são bem educativos e que servem para ilustrar esse artigo. Todos possuem alguma relação com situações presentes na nossa história. Aviso importante: escolhi filmes mais antigos pois a maioria dos vídeos e textos possuem spoiler. Se você encontrar alguma relação entre a ficção e a realidade tenha certeza de que não é coincidência.

Política: construindo um mundo melhor

A mulher que aparece no vídeo acima se chama Daenerys Targaryen. Ela resolveu agir, movida pela maior de todas as boas intenções que era a de construir um mundo melhor para todos na série Game of Thrones (HBO).

No discurso que aparece no vídeo acima ela acaba de conquistar o poder sobre todos os 7 reinos da região seguindo a estratégia: dividir para conquistar. Milhares de pessoas, incluindo civis inocentes, morreram. No vídeo podemos ver que ela acreditava ter a capacidade de saber o que era bom para todos. Ela acreditava que o novo mundo (um mundo bom) não poderia ser feito por pessoas leais ao mundo atual (o mundo ruim). Ela acreditava que era difícil para a população enxergar vantagens no “mundo bom” que ela queria construir, já que as pessoas nunca viram um mundo bom. As demais pessoas, que possuem outras ideias sobre como seria um mundo bom, não teriam escolhas no governo dela. A visão de mundo dela seria imposta (de forma violenta) para que seja possível construir um mundo bom para todos (coletivo), mesmo que isso vá contra a liberdade e a vida de cada pessoa (individualidade).

Depois de ter destruído todos os reinos querendo impor a sua visão de mundo, Daenerys convida Jon para que ele construa “o novo mundo” com ela, pois esse é seu propósito infantil, como ela disse: desde o tempo que ela não conseguia contar até 20. A ideia de construir um mundo perfeito sempre é uma ideia imatura da realidade, uma visão infantil da vida. 

Jon percebe que não existe nada a ser feito com relação aos planos de Daenerys para impor a sua visão de mundo aos outros. Jon parece entender as consequências não intencionais, pois ali estava nascendo a maior de todas as tiranias. Mesmo amando Daenerys, ele usa a sua espada e toma uma decisão difícil.

A espada em todas as culturas sempre simbolizou a justiça. Desde o princípio, com uma lâmina separamos a parte boa dos alimentos da sua parte ruim. A lâmina simboliza a vontade e a ação humana no julgamento do que é certo e errado, bom e ruim. É por este motivo que a Thêmis, deusa grega que usamos até hoje para representar a Justiça, possui uma espada em uma de suas mãos e uma balança na outra mão.

Geralmente a ideia de impor a construção de um mundo melhor implica em tirar do indivíduo o direito de escolher o que é bom ou ruim para a sua própria vida. Assim surgem os governos tiranos que controlam a vida de todos em nome de um “bem comum”. Olhando para a história da humanidade nós já sabemos qual foi o fim de todas as tiranias.

O dragão de Daenerys surge e também faz uma escolha. O dragão simboliza o lado instintivo e a força (muitas vezes destruidora) das emoções humanas. O pequeno vídeo acima não mostra, mas no filme, o Dragão destrói o trono de ferro com fogo. O trono que seria assumido por Daenerys simboliza o poder concentrado em uma só pessoa, geralmente uma pessoa que acredita saber o que é o bem de todos (como um ser superior) e que está tentando construir um mundo melhor, mesmo que isso destrua a liberdade individual de decidir sobre o que é realmente o melhor para cada um.

Fora do cinema, existem teorias políticas escritas por “intelectuais” que pregam a construção de um mundo melhor. Primeiro eles tentam convencer as pessoas sobre esse mundo melhor, difícil de imaginar já que nunca existiu. Alguém com poder adota essas teorias e depois passa a perseguir quem não concorda com essa ideia de um mundo melhor que promoverá o bem de todos. Depois as pessoas que acreditam nesse “mundo melhor” começam a forçar a mudança de forma violenta, como ilustrado no filme acima, pois se você não apoia a construção de um mundo melhor para todos você passa a ser o inimigo de todos.

Quando tudo é destruído por uma série de consequências não intencionais que acaba com a economia e a sociedade, algumas pessoas com um pouco de bom senso surgem e criam o mundo possível. Veja que existe uma enorme diferença entre criar um mundo possível e criar um mundo melhor, idealizado e perfeito.

A ideia de criar um mundo possível garantindo a liberdade das pessoas é madura. A ideia de forçar a criação de um mundo melhor tendo meios justificados pelos fins é uma ideia infantil ou imatura que nunca funcionou e nunca funcionará, mas que sempre deixará rastros de morte e destruição.

Infelizmente, com o passar do tempo, logo todos se esquecem sobre o que ocorreu no passado quando ocorreu a última tentativa de construção de um mundo melhor que tornou o mundo de todos pior. Então alguém surge querendo forçar a mudança do mundo novamente e tudo recomeça. Tudo é destruído e na destruição aparecem algumas pessoas com bom senso e a proposta de construir um mundo possível, geralmente baseado em liberdade individual e não na tirania coletiva.

A última vez que isso aconteceu mundialmente produziu a primeira e a segunda guerra mundial. As gerações que viveram e entenderam esse problema depois da guerra, construíram um mundo possível. Todas as pessoas que viram na última guerra já morreram ou são extremamente idosas. Os filhos dessa geração que presenciou a destruição estão sendo ultrapassados pelas novas gerações. Essas novas gerações que nasceram e cresceram no “mundo possível”, agora estão reivindicando a quem tem poder que force a construção de um mundo melhor. Com certeza isso não vai terminar bem.

Meio Ambiente: construindo um mundo melhor

Também é possível sonhar com um mundo melhor para todos (coletivo), sem qualquer preocupação com a vida de cada um (individuo) através de decisões relacionadas ao meio ambiente.

Thanos acreditava que um desequilíbrio ambiental precisava ser corrigido. Por todo o universo existiam guerras entre diversos povos por recursos naturais (comida, água, energia e minerais) provocadas por superpopulações e grande consumo de recursos naturais para a manutenção dessas populações.

A história da humanidade está repleta de guerras para a conquista de novas terras, controle de rotas comerciais e recursos naturais. Para o futuro certamente teremos novas guerras por fontes de energia (petróleo), terras férteis, minerais, água etc. Agora mesmo temos conflitos que atingem a Europa que se relacionam com gás e petróleo.

O vídeo acima nos mostra que Thanos acreditava que o mundo melhor dependia de uma natureza equilibrada e ele resolveu assumir o papel “heroico” de equilibrar a natureza do universo. Thanos se entendia como um profeta e o único que sabia como corrigir o problema ambiental. Para isso ele decidiu que o melhor para o bem coletivo era matar 50% de toda a vida do universo. Com isso, ele poderia dobrar a quantidade de alimentos, energia e recursos naturais para os que sobrevivessem, criando uma era de paz e abundância para todos.

Como Thanos acreditava que estava fazendo o bem e que precisava ser justo, ele encontrou uma forma de eliminar 50% da vida de uma forma que considerava justa e rápida. Ele buscou os meios necessários e com um instalar de dedos, de forma rápida, indolor e “misericordiosa”, metade da vida desapareceu de forma aleatória, como um sorteio, sem privilegiar ninguém. Para Thanos, tudo isso era muito bom e justo. Ele acreditava ser um herói coletivo do universo.

Como sempre, algumas pessoas não concordaram quando ele apareceu querendo forçar a construção de um mundo melhor seguindo seus próprios meios. Essas pessoas entendiam que para o bem comum (comunitário) não era correto sacrificar as pessoas. Outras soluções para um universo de recursos finitos deveriam ser encontradas. Certamente seriam soluções mais complexas. Um mundo complexo exige soluções complexas. Soluções simplistas, como a de Thanos, com relação ao meio ambiente normalmente resultam em consequências não intencionais trágicas.

Thanos consegue acabar com 50% da vida na Terra e no restante do Universo, mas alguns heróis se uniram e conseguiram reverter a extinção.

Então, para o bem de todos, Thanos retorna e agora tenta “resetar o mundo”, uma espécie de “grande reset”. Nesta segunda tentativa ele pretende criar um mundo novo, a partir do zero, um mundo feito por gente que não saiba o que lhe foi tirado, mas apenas saiba aquilo que lhe foi dado. Na história da humanidade muitos massacres de populações inteiras foram promovidos seguindo a mesma lógica, não permitir que algo seja lembrado pelas futuras gerações.

Thanos acreditava que a vida só poderia existir se fosse controlada por alguém, assim como muitos políticos, organizações e instituições nos dias de hoje.

Assim como Daenerys, ele era o único que sabia o que era um mundo bom, perfeito e equilibrado. Só que ele entende que seus atos possuem consequências e elas são o preço a se pagar pela salvação. Na mente de Thanos existiam fundamentos lógicos e científicos para os seus atos. Para ele era algo matemático. Se temos guerras por uma oferta limitada de recursos a solução lógica seria cortar 50% da demanda por esses recursos. Muitos economistas nos dias de hoje também acreditam em soluções simples para questões complexas envolvendo oferta, demanda e preços.

Hoje temos uma série de governos, entidades públicas, privadas e organizações movidas pelos mais diversos interesses tomando decisões relacionadas com os impactos ambientais e até mesmo com relação ao consumo, saúde e economia. Todas essas decisões são baseadas em teorias e possíveis evidências científicas difíceis de confirmar devido a enorme complexidade da natureza. Essas teorias logo se transformam em leis, normas e certezas que produzem impactos na vida individual em nome do bem maior coletivo.

A lei das consequências não intencionais deve continuar produzindo inúmeras consequências econômicas, sociais e ambientais que podem até agravar os problemas que se tenta combater com ideias simplistas como a de Thanos.

Vale observar que se Thanos tinha o poder de destruir 50% da vida, talvez ele pudesse dobrar a quantidade de recursos naturais para evitar as disputas. A questão é que muitas vezes as pessoas estão mais interessadas em promover a escassez e a destruição e usam um motivo aparentemente bom para justificar isso.

Movimentos sociais: construindo um mundo melhor

Mais uma ficção para ilustrar eventos que ocorrem hoje:

O Coringa não sonha com a construção de um mundo melhor, mas sonha com a destruição do mundo que não o acolheu e não o aceitou da forma que ele acreditava ser.

Ele acreditava ser talentoso, engraçado, mas as pessoas não riam de suas piadas e não reconheciam os talentos que só ele acreditava ter. O Coringa não foi amado pelo mundo e nem pelos seus próprios pais. As pessoas não tinham a empatia, bondade e a decência que ele julgava que deveriam ter.

Sem querer, o Coringa inicia uma espécie de ‘movimento social”.

Tudo começa quando o Coringa mata três jovens dentro de um metro que representavam essa sociedade que o Coringa julgava como imperfeita e que deveria ser mais empática, boa e descente. Antes de serem mortos os jovens espancaram o Coringa por não entenderem que ele tinha um transtorno mental. As pessoas se identificaram com a revolta do Coringa e iniciaram manifestações, badernas, saques e atos violentos contra uma sociedade hipócrita e imperfeita.

É fato que todos nós temos nossos sonhos pessoais, desejos e achamos que eles são importantes. Só que não podemos obrigar o mundo a nos amar, nos acolher e nos ajudar a realizar nossos sonhos e desejos. Geralmente as pessoas se agrupam, inicial movimentos coletivos e tentam forçar uma mudança na sociedade que geralmente resulta em uma sociedade ainda mais hipócrita, que finge se importar quando na verdade não se importa.

A origem disso certamente ocorre no desamparo primordial que todos sentimos na infância (Freud). É desse desamparo mal resolvido que surgem muitos traumas na infância e neuroses na fase adulta (é o caso do Coringa). Na fase infantil da personalidade exigimos que o mundo nos aceite, queremos aprovação incondicional dos nossos pais e da sociedade.

Quando amadurecemos, nos preocupamos cada vez menos com a aprovação alheia. Aceitar o mundo como ele é, com todas as suas imperfeições é sinal de maturidade e saúde mental. Entender que não precisamos dos aplausos dos outros e que devemos aceitar nosso potencial e nossas limitações equivale a ser adulto. Apesar do mundo ser o que é, ele não nos deve nada, não se importa conosco e apesar disso precisamos lutar pelo nosso espaço, já que ninguém fará isso por nós.

Dificilmente as pessoas percebem que precisam buscar meios para depender menos dos outros, aceitando que as outras pessoas estão preocupadas com elas mesmas e não existe nada e nem ninguém que as obrigue a pensar diferente a não ser que se comportem hipocritamente.

Como dizia Adam Smith, que também tinha sua visão de mundo: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele tem pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade, mas ao amor-próprio, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que eles podem obter.”  Podemos dizer que essa frase de Adam Smith resume muito bem o conceito por trás da sociedade que sempre tivemos, desde o dia que duas pessoas estranhas se encontraram no mundo e resolveram conversar, negociar e fazer trocas movidas pelos seus próprios interesses.

É imaturo exigir do mundo algo, como se o mundo estivesse devendo algo para você apenas por você ter nascido. É maduro entender que as coisas não funcionam assim e apesar disso você deverá lutar por algum espaço, pois ninguém fará isso por você. Geralmente aparecem pessoas prometendo que farão isso por você apenas para obterem poder e controle sobre a sua vida e a vida dos demais.

Herói: construindo um mundo melhor

A história humana está cheia de pessoas que se viam como heróis do coletivo. Acreditando que eram capazes de saber o que era melhor para todos, essas pessoas iniciaram conflitos e guerras que destruíram países, empresas e pessoas. Tudo sempre com a melhor das intenções, na tentativa de construir um mundo melhor para todos (coletivo) mesmo que para isso fosse necessário destruir a vida de algumas pessoas (indivíduos).

No exemplo acima, o empresário Bruce Wayne salva a filha de uma de suas funcionárias que provavelmente estava morta no prédio de sua empresa que acabou de ser destruído por um “herói voador”.

O Superman, sem ser convidado pelos humanos, caiu do céu e resolveu assumir o papel de herói de todos os fracos e oprimidos (coletivo). Eventualmente ele destrói cidades inteiras, acabando com empresas, casas e com a vida de muitas pessoas enquanto luta heroicamente contra inimigos que ele mesmo atraiu para a Terra.

No vídeo acima, o pai adotivo do Superman, ensina como funciona a lei das consequências não intencionais. Quando criança, em uma forte chuva, ele e o seu pai usaram pás para bloquear o fluxo de água que inundava a sua fazenda. O pai de Superman se sentiu um herói e ganhou um bolo de presente. Enquanto comia o bolo a fazenda do vizinho estava sendo inundada como consequência do bloqueio da água. O menino dormiu ouvindo os animais da fazenda agonizando enquanto tudo era destruído.

Toda ação produz consequências boas e más, principalmente aquelas propostas por pessoas que se sentem heróis ou defensoras dos fracos e oprimidos. É por este motivo que nunca devemos permitir que alguém (outras pessoas, governos, empresas, ONGs e outras entidades) nos obriguem a aceitar qualquer ação sem a possibilidade de discutir e discordar. O vizinho da história certamente não concordaria com o bloqueio do fluxo de água se fosse consultado. Uma outra solução deveria ser encontrada. Não se pode impor algo sem permitir questionamentos já que nunca se sabe quais serão as consequências não intencionais.

Tecnologia: construindo um mundo melhor

Tony Stark é um empresário de inteligência acima da média que se tornou bilionário desenvolvendo tecnologias para construir um mundo melhor e pacífico. Ele desenvolveu uma inteligência artificial chamada Ultron que rapidamente criou autonomia.

Essa tecnologia percebeu que deveria salvar o mundo e isso só seria possível se a humanidade fosse forçada a evoluir.

Nos seus pensamentos, Ultron mistura conceitos científicos como o da evolução, eventos de extinção e a seleção natural para justificar os seus planos. Ele também adota conceitos de que a humanidade é imperfeita e pecadora e que o mundo que conhecemos deve ser destruído para que algo melhor possa ser construído. Essa é a base de uma ideia muito perigosa. A construção de um mundo melhor esconde a destruição de um mundo possível.

Temos hoje muitos empresários do setor de tecnologia que costumam falar sobre a construção de um mundo melhor utilizando tecnologias que vão “destruir” o mundo velho para criar um novo mundo.

Ultron naturalmente desenvolve vaidade, inveja, orgulho e soberba ao se identificar como um “novo homem” que seria superior aos demais e que por dever e bondade deve construir um mundo perfeito.

No final, outra inteligência artificial chamada Jarvis (Visão) explica para Ultron sobre a natureza humana. Ele diz: “Humanos são estranhos por pensarem que ordem e caos (bem e mal) são forças opostas e tentam controlar o que não é possível, mas existe existe certa graça em seus erros”.

Aqui temos um ponto central. Bem e mal não estão dissociados. São dois lados da mesma moeda e a ideia de que temos controle sobre todas as consequências é uma ilusão perigosa. Todos os eventos históricos estão relacionados a esta questão. E nem sempre uma decisão que parece boa no presente será boa no futuro após o desenrolar de todas as suas consequências.

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