Recebi diversas mensagens de leitores do Clube dos Poupadores pedindo para comentar a fala do presidente eleito que respondeu questões econômicas no dia 09/11/2022 em Brasília.

Os leitores perguntaram sobre um possível calote no pagamento de juros dos títulos públicos com base em diversas notícias como essas:

Alguns trechos preocupantes da fala do eleito: “Tudo que a gente quer fazer é gasto, gasto, gasto. Para quê? Para guardar dinheiro para pagar juros aos banqueiros? Não! Tem uma dívida social histórica de 500 anos com o povo pobre. E nós, como já fizemos uma vez, vamos começar a pagá-la”.

Como você deve saber, o governo precisa gastar menos do que arrecada (economizar) para que possa pagar os juros de todos os títulos públicos que ele vendeu para a sociedade e que fazem parte da carteira de investimentos de milhões de brasileiros através de bancos, corretoras, fundos de investimentos, previdência privada, seguradoras etc.

Existem basicamente duas principais formas de um governo obter o dinheiro que precisa para fingir que cumpre as promessas de campanha:

  • Tomando esse dinheiro, através da força, de pessoas e empresas que são obrigadas a pagar impostos, caso não queiram cometer crime fiscal.
  • Através da venda de títulos públicos que podem ser comprados pela sociedade diretamente (Tesouro Direto) ou indiretamente através de fundos de investimento, planos de previdência ou mesmo quando fazem um seguro e realizam investimentos nos bancos, que podem optar por investir esse dinheiro do cliente em títulos públicos.

Nem todo dinheiro que o Governo arrecada serve para ajudar os pobres. Você sabe que o discurso costuma ser diferente da prática. Parte do dinheiro arrecadado ao vender títulos públicos ou por impostos é desperdiçado ou até mesmo roubado.

A história está repleta de exemplos de políticos presos por crimes de corrupção. A memória é curta, mas não podemos esquecer que o eleito esteve preso entre 7 de abril de 2018 e 8 de novembro de 2019 após ser condenado por Sergio Moro, então juiz federal, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro (fonte).

Sabemos muito bem que a miséria no Brasil tem como principal origem os políticos que saqueiam a população desde sempre, já que os saqueadores são constantemente eleitos e reeleitos. Não roubar e não permitir o roubo seria uma excelente forma de economizar recursos públicos para ajudar os mais pobres e pagar os juros das dívidas que o governo fez ao oferecer seus títulos públicos para a sociedade.

Falar que não pretende reservar os recursos necessários para pagar juros da dívida é algo muito grave. É importante torcer para que ele tenha falado sobre algo que não entende, assim como os seus antecessores tinham o costume de fazer. Não guardar dinheiro para pagar os juros da dívida pública para instituições financeiras, equivale a um calote da dívida pública como já ocorreram em países vizinhos.

Como disse, o dinheiro que os bancos, fundos de previdência, seguradoras e outras instituições financeiras utilizam para comprar títulos públicos pertencem aos seus clientes e não ao banqueiro.

Quando você investe em um CDB, quando investe em um fundo de investimentos, faz um seguro ou uma previdência privada, o seu dinheiro é investido pelo “banqueiro” em títulos públicos ou é emprestado para outras pessoas e empresas que queiram pagar juros por esse dinheiro. Parte desses juros que o banco recebe retorna para o cliente, verdadeiro dono do dinheiro.

O gráfico abaixo mostra quem são os detentores da dívida pública interna (títulos públicos como os oferecidos pelo Tesouro Direto). Veja que quem comprou todos os títulos públicos emitidos pelo governo até hoje foram bancos e outras instituições financeiras controladas por bancos utilizando o dinheiro dos seus clientes (fonte).

Não pagar os juros da dívida seria uma forma muito eficaz de quebrar o sistema financeiro rapidamente para iniciar algum outro tipo de sistema utópico, diferente do que você conhece como capitalismo.

Infelizmente, os jornalistas parecem não compreender (ou fingem não compreender) a gravidade desse tipo de fala para a estabilidade do sistema financeiro e a segurança dos pequenos investidores.

Provavelmente as pessoas que entendem a gravidade da fala consideram a mesma como mais uma bobagem que os políticos costumam dizer diariamente para a imprensa.

Se esse tipo de fala, insinuando o não pagamento de juros, continuar nos próximos meses e anos, será inevitável observar a alta das taxas de juros de títulos públicos como o Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA, já que são títulos que sempre refletem a percepção de risco dos investidores com relação ao futuro.

A lógica funciona assim: quanto maior o medo do investidor sobre o futuro pagamento dos juros de um título público, mais juros ele exige para o considerar atrativo o investimento.

Títulos públicos com juros cada vez maiores, graças ao medo sobre o futuro, serão uma oportunidade para aqueles que acreditam que a fala do político nada mais é do que uma bobagem que não será cumprida. Nesse caso eu recomendo a leitura do meu livro sobre o investimento em títulos públicos onde existem estratégias importantes.

Se você acredita que realmente existe um plano para o calote, gerando a destruição do sistema financeiro para o cumprimento de objetivos ideológicos contra o sistema, ainda existe tempo para começar os seus estudos sobre como abrir uma conta no exterior para realizar investimentos lá fora. Recomendo a leitura do meu livro sobre como investir no exterior.

Na dúvida sobre o desastre que está por vir é importante manter uma carteira de investimentos diversificada.

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