Sair da “corrida dos ratos” deveria ser o seu principal objetivo ao se educar financeiramente. Quanto menos você depender da venda do seu tempo e menos viciado(a) estiver no consumismo, mais livre você será dentro do sistema. Na prática estamos falando sobre atingir um maior nível de independência financeira.

Primeiro você deve enxergar e aceitar que existe um sistema cheio de regras relacionadas com a relação tempo x dinheiro . Esse sistema já existia muitos antes de você nascer.

Assim como uma força da natureza, o sistema não é bom e nem mau, não é certo ou errado e não liga se você gosta ou não dele. Esse sistema de relações e trocas de bens, serviços e valores entre as pessoas sempre existiu e continuará existindo.

Diante disso existem duas alternativas:

  • Você pode escolher passar a vida correndo dentro do sistema enquanto reclama da sua existência e o culpa pelos seus problemas.
  • Você pode dedicar algum tempo aprendendo como o sistema funciona, quais são as regras do jogo e o que você pode fazer para sair da corrida dos ratos.

Eu acredito que é  mais produtivo estudar sobre como o sistema funciona, assim como alguém que faz um curso de sobrevivência na selva.

Você precisa de conhecimentos e habilidades para sobreviver e conquistar um maior nível de independência financeira no sistema.

O sistema tem o seu lado positivo, que muitas vezes é esquecido, distorcido ou propositalmente omitido por pessoas que se iludem sobre a construção de algo teoricamente melhor, utópico e muito distante da natureza humana. Foi esse sistema que produziu todo o desenvolvimento industrial e tecnológico que desfrutamos dentro de nossas casas. Hoje, qualquer pessoa pode estudar esses temas para que possa trabalhar, poupar, investir e repetir até atingir a independência.

O lado negativo do sistema é uma consequência da falta de entendimento sobre o seu funcionamento.

Se você vivesse em uma floresta, estaria em um ambiente repleto de regras importantes para garantir a sua sobrevivência. Negar essas regras ou não entender as regras colocaria você em desvantagem e as consequências poderiam ser fatais. O mesmo ocorre nesse tipo de “floresta” que a humanidade construiu para permitir trocas espontâneas de trabalho, serviços, produtos e todos os recursos que precisamos para viver.

Enquanto na “floresta dos bichos” a guerra sangrenta pela vida é constante, na “floresta humana” a selvageria é amenizada por leis, comércio, trabalho e meios de troca (dinheiro). Na prática, o sistema é aquilo que nos afasta um pouco da barbárie que foi a vida nas florestas em batalhas entre os nossos vizinhos por água, terra, comida e outros recursos.

Se você entendeu isso até aqui, você já deu um primeiro passo.

A animação chamada “Happiness” (Felicidade) nos mostra o verdadeiro inferno que você pode criar na sua vida quando não entende o funcionamento do sistema. O que temos nessa animação é a representação da famosa “Corrida dos Ratos”. Nos EUA esse termo é usado para definir uma perda de tempo, um esforço inútil, como aquele feito por pequenos ratos ou hamsters de laboratório que correm dentro de uma roda ou que passam o dia percorrendo um labirinto em busca de comida.

O vídeo começa com a corrida de milhares de ratos para o trabalho. O objetivo é o de obter algum dinheiro para fazer compras. Podemos dividir a maior parte de tudo que compramos em dois grupos: o grupo do pão e o grupo do circo.

O pão é tudo que satisfaz as nossas necessidades básicas, incluindo nosso conforto, bem-estar e saúde. O circo está relacionado com a nossa saúde mental e com a satisfação de necessidades psíquicas como o entretenimento, reconhecimento, relacionamentos, autoestima, realização pessoal etc. Para todos as necessidades, desejos e fantasias humanas existem produtos e serviços que podem ser comprados.

Muitos prometem algum tipo de felicidade na forma de um produto. Acreditar nessas promessas é opcional.

Os shoppings lotados que aparecem na animação simbolizam os labirintos que os roedores percorrem nos laboratórios em busca da “felicidade”, que no caso do roedor se limita a saciar sua fome.

Na animação, depois de muito trabalho o roedor já tem condições de comprar o que deseja e de dirigir o carro que sempre sonhou. Logo o roedor se sente entediado com a vida em mais um enorme e rotineiro engarrafamento. É nesse ponto que muitas vezes as pessoas começam a colecionar vícios que o dinheiro pode manter. São esses vícios que anestesiam o sofrimento e o tédio que representa estar preso na corrida dos ratos.

A animação utiliza a bebida alcóolica como símbolo dos excessos e vícios. Certamente existem inúmeros vícios e maus hábitos que podemos colecionar e que nos anestesiam enquanto prejudicam nossa saúde física, mental e financeira. Existem pessoas viciadas em compras, comidas, bebidas, remédios, jogos, redes sociais, poder e uma série de outras coisas que são prejudiciais quando em excesso.

Você certamente já ouviu falar sobre pessoas que enriqueceram, muitas vezes de forma rápida, e logo depois destruíram a própria vida adquirindo hábitos e vícios que não seriam possíveis se elas não tivessem dinheiro suficiente. Dinheiro dá poder para que você faça muitas coisas e entre essas coisas temos os vícios que prendem as pessoas na corrida dos ratos.

A animação mostra que também podemos comprar soluções mágicas para combater nossos vícios e maus hábitos. Isso não costuma funcionar quando a solução não exige transformação pessoal. Culpar os outros ou culpar o sistema é uma solução mágica que não funciona, pois o verdadeiro problema está na forma como você lida com a corrida dos ratos.

No final da animação, após o personagem se envolver em vícios e soluções mágicas, ele acaba voltando para a corrida dos ratos para obter o dinheiro necessário para continuar no ciclo de consumo, satisfação de necessidades, desejos, fantasias e vícios. Percebemos que existe ali um condicionamento que faz o ciclo de estímulo e recompensa se perpetuar.

Saindo da corrida dos ratos:


 

Essa corrida é uma condição da natureza que atinge ratos, gatos, humanos e outros seres quando estão condicionados a isso. Os gatos que aparecem no vídeo, assim como os ratos da animação, não podem entender o condicionamento “estímulo-recompensa” que também os prendem dentro do sistema, mas você pode entender e escapar dele, pois você não precisa gastar tudo que ganha no consumismo, nos vícios, extravagâncias, supérfluos e coisas que pretendem você no sistema.

Somos adultos, não somos mais aquela criança que chora quando negam o brinquedo que apareceu no comercial. O mercado está repleto de “brinquedos para adultos”. As pessoas passam a vida trabalhando e se endividando para comprar esses brinquedos (são prêmios de consolação). Somos vistos como “pessoas legais” quando compramos esses brinquedos desejados por todos. Não percebemos que somos condicionados a isso e que estamos nos pretendendo na corrida.

Nesse ciclo infinito de consumismo as pessoas perdem o seu bem mais precioso que é a propriedade sobre o seu próprio tempo. Ficam condenadas a trabalhar cada vez mais para comprar e pagar dívidas por coisas que nem são tão importantes no longo prazo.

Devemos entender, o mais cedo possível, que a felicidade está na liberdade e para conquistar essa liberdade é necessário guardar uma parte do que você ganhou dentro da corrida.

Com essa parte poupada você vai se livrar das dívidas e do consumismo, pois é mais fácil gastar aquele dinheiro que você pegou emprestado do que gastar o dinheiro que você dedicou muito tempo e energia para poupar.

Sem dívidas e sem os pagamentos de juros sua dependência já será bem menor. Se você continuar poupando logo terá recursos para investir. Se as fontes de renda forem pequenas para poupar e investir você vai perceber que precisa valorizar mais o tempo que você gasta trabalhando e isso ocorre adquirindo conhecimentos e habilidades mais valiosas do que as que você tem hoje.

Seus investimentos serão uma fonte adicional de renda e de crescimento do seu patrimônio. Quando isso acontecer você estará do outro lado do jogo. Essa renda fará você ter cada vez mais tempo e mais liberdade para fazer escolhas.

Trabalhar, poupar, investir e repetir são etapas do ciclo que fará você sair da corrida dos ratos e do condicionamento dos gatos.

Você verá que aos poucos será possível conquistar diversos níveis de independência financeira e isso significa se livrar da corrida dos ratos gradativamente. Eu escrevi um artigo introdutório sobre a independência financeira, leia aqui.

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