Vou mostrar alguns dados nesse artigo que fazem parte de pesquisas pessoais que venho realizando para entender o impacto da crise na economia, nas empresas e no comportamento das pessoas. Como venho fazendo nos últimos artigos, estou compartilhando as informações e as fontes para que vocês possam fazer seus próprios estudos.

Primeiro quero mostrar dados que fazem parte de uma pesquisa feita pelo Elo Performance e Insights que encontrei neste endereço ou aqui. Os números mostram que as vendas no varejo brasileiro caíram pela metade até a semana passada (25/03/2020) refletindo o forte impactos da crise provocada pela pandemia do coronavírus (covid-19). É possível que esses números estejam piores, pois o processo de fechamento do comércio por determinações de governadores e prefeitos ainda não terminou.

O estudo comparou as vendas do varejo nas últimas semanas de março com uma média de períodos anteriores, quando ainda não existiam casos registrados do coronavírus no Brasil e o comércio permanecia aberto.

 

Observe no gráfico acima que a linha azul representa as compras utilizando cartão de crédito e a linha preta as compras realizadas com cartão de débito em todos os estabelecimentos do país. O governo confirmou o primeiro caso de coronavírus no dia 26/02 (fonte). Já a primeira morte foi confirmada no dia 17/03, justamente no início do declínio das vendas utilizando os cartões em comparação ao mês anterior. Exemplo: o número -50% no dia 25 de março, no gráfico acima, significa que as vendas por cartão de crédito caíram 50% em relação ao dia 25 do mês anterior. Podemos observar que essa queda foi de -91% no setor de vestuário.

Observe no gráfico acima que o setor de vestuário foi atingido por uma queda de 91% nas vendas. Os supermercados foram os menos atingidos.

No gráfico acima temos os dados dos supermercados e farmácias separados dos demais setores. Podemos observar um forte aumento nas vendas dos supermercados e farmácias antes mesmo da confirmação da primeira morte. Logo depois existe um declínio desse aumento em relação ao período anterior, pois provavelmente as pessoas aumentaram suas compras na fase inicial para evitar sair de casa.

O gráfico acima mostra as vendas pela internet (e-commerce). Podemos ver que no geral as vendas online caíram 35% em todo Brasil. A venda de bares, restaurantes cresceram 85% pela internet. Supermercados online tiveram alta de 17% nas vendas através do cartão. Podemos entender que os brasileiros estão concentrando suas despesas em produtos essenciais.

Agora quero compartilhar dados recentes de uma pesquisa sobre as expectativas das pessoas e seu comportamento diante da crise. Certamente isso é o que mais interfere nas suas decisões de compra. Você encontra a (pesquisa aqui).

O gráfico acima, podemos somar os valores para descobrir que 36% das pessoas pesquisadas acredita que a crise terá duração de 1 até 3 meses. Somados, temos 57% das pessoas esperando uma crise por mais de 6 meses, sendo 19% esperando crise por mais de 1 ano. As pessoas normalmente tomam decisões de consumo e investimentos com base nessas expectativas.

No relatório detalhado (fonte) podemos ver que as pessoas com mais escolaridade estão mais pessimistas (17% se prepara para uma crise superior a 2 anos). As pessoas com menos escolaridade (4%) esperam uma crise superior a 2 anos. As pessoas entre 25 e 40 anos são as mais pessimistas enquanto as pessoas com mais de 60 anos são as mais otimistas (onde existem muitos aposentados). As pessoas com maior renda estão mais pessimistas e as de menor renda mais otimistas.

O gráfico acima mostra que 31% das pessoas conhecem alguém que já perdeu o emprego após o início da pandemia. Saber que seus amigos, parentes e conhecidos estão perdendo o emprego favorece o aumento do pessimismo e isso inevitavelmente produz efeitos nas decisões de consumo, economia de dinheiro e investimentos.

No gráfico acima temos uma espécie de “medidor do medo”. Sabemos que o comportamento dos consumidores e dos investidores possuem como principais motores: o medo e a ganância/euforia. Muitos negócios como imóveis, eletroeletrônicos, moda, entretenimento, turismo entre outros, dependem de pessoas otimistas com relação ao futuro.

Ninguém compra um imóvel maior, abre um novo negócio, faz investimentos de maior risco ou gasta dinheiro com luxo e entretenimento quando está com medo de perder o emprego. Normalmente as pessoas gastam mais dinheiro com o essencial e com a educação ou qualquer tipo de qualificação que possa melhorar seus resultados financeiros. As pessoas tendem a cortar os supérfluos, aumentar o hábito de poupar e começam a se preparar para o que está por vir, que podem ser riscos ou oportunidades.

No gráfico acima, 43% das pessoas está com medo grande ou muito grande de perder o emprego nessa fase inicial da crise. Nos detalhes da pesquisa existe a informação de que 87% das pessoas acredita que a taxa de desemprego será maior (49%) ou muito maior (38%) nos próximos 3 meses.

O gráfico acima mostra que 46% dos entrevistados já tiveram ou acreditam que terão redução em sua renda mensal.

O gráfico acima mostra que entre as pessoas que já tiveram perdas na renda, a média dessa perda foi de 44%. Pelos números acima, as pessoas que ainda não tiveram redução de renda poderiam tomar medidas preventivas se preparando para uma redução de pelo menos 30% na renda.

O que torna tudo isso muito pior são as dívidas. No gráfico acima temos 58% das pessoas endividadas. Nos detalhes da pesquisa, 56% dessas pessoas que possuem dívida declararam que terão que atrasar o pagamento de algumas dívidas. Isso significa que além das empresas já estarem prejudicadas com a queda nas vendas, elas terão problemas para receber o pagamento da vendas que já fizeram no passado.

Preste atenção nos valores vermelhos. Podemos observar que 64% das pessoas reduziram gastos com compra de roupas, 56% reduziu compras de bens duráveis como eletrodomésticos e eletrônicos, 54% reduziu compra de bebidas, 47% reduziu a compra de comida pronta (restaurantes). As pessoas estão comprando mais produtos de limpeza, remédios e alimentos em supermercados.

Espero que esses dados possam ajudar você que trabalha, é dono ou investidor nos setores que aparecem nas pesquisas.

Assim como as empresas e os governos estão nesse momento estudando, planejando e tomando decisões preventivas e proativas, as pessoas deveriam fazer a mesma coisa.

Existem pessoas cantando e batendo panelas na varanda. Existem pessoas que passam o dia fazendo maratona nas séries do Netflix e se fazendo heroísmos nos games. Existem aqueles que ficam vigiando e brigando com outras pessoas nas redes sociais. Tudo isso resultará em paralisia.

Para quem tem um emprego e está agora no home office, esse é o momento de ser super produtivo, proativo e preocupado com a empresa onde você trabalha como se você fosse dono da empresa.

Para quem tem um negócio. Esse é o momento de desenvolver um plano de ação e começar a agir. Para o empresário, não importa o que vai acontecer. O importante é se ele sabe o melhor a ser feito diante dos possíveis acontecimentos. O bom empresário espera o melhor e se prepara para o pior. É o momento de fazer mais com menos.

Para quem é investidor e fez seus estudos no passado e já entende como os investimentos funcionam, esse é o momento de praticar o que aprendeu. Para quem só tomou decisões de investimentos baseadas em recomendações de terceiros, esse é o momento de dedicar um tempo para aprender sobre o funcionamento dos investimentos. Esqueça a ideia de que as pessoas que fazem recomendações sabem o que vai acontecer no futuro. Elas apenas sabem como os investimentos funcionam e vão tomando decisões e ajustando as carteiras de investimentos diante dos cenários que se apresentam.

Leitura recomendada: lista de livros sobre investimentos.

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