As vezes recebo questões de leitores preocupados com temas relacionados a democracia e os seus investimentos. Um exemplo:

…queria deixar esta sugestão, que tal um artigo sobre como é ter investimentos de longo prazo num país autocrático ou ditatorial e se isso é melhor ou pior do que países democráticos, mesmo em democracias frágeis, democracias novas ou democracias em formação, como a do Brasil.

Primeiro é importante entender que existe uma grande diferença entre a democracia que imaginamos existir e a democracia que realmente se materializa em todos os países que se declaram democráticos.

Geralmente as pessoas preocupadas com esse tema, no Brasil e no exterior, partem do pressuposto de que existe democracia por toda parte e que de alguma forma ela está ameaçada.

A grande questão não é sobre a democracia ameaçada. A grande questão é se realmente existe democracia no mundo da forma que imaginamos.

Para entender melhor se a democracia que imaginamos existe, vamos retornar para o passado.

Os primeiros que pensaram sobre isso foram os “pais do mundo ocidental” que viveram há quase 2500 anos na Grécia antiga. O curioso é que a visão que eles tinham sobre a democracia, quando era exercita na prática, não era muito boa. A democracia parecia ser uma das muitas coisas que na teoria funcionam bem, mas que na prática acaba sendo corrompida.

Antes de continuar a leitura deste artigo é importante ouvir o conteúdo logo abaixo. Clique no “play” no centro da figura abaixo e aumente o volume. São apenas 3 minutos sobre a democracia e outras formas de governo na visão dos antigos gregos.

Os gregos entendiam que a democracia era uma versão corrompida da politeia. Para eles, todas as formas de governo acabavam se corrompendo, já que dificilmente as pessoas cultivam as virtudes humanas.

Os gregos entendiam que a polis (isso que hoje chamamos de cidades, estados e países) deveria ser governada por pessoas altamente qualificadas. Eles perceberam, milhares de anos atrás, que na democracia as pessoas não votam nos líderes por suas qualificações e habilidades. Isso atrai muita gente despreparada e mal-intencionada para o poder. Vemos esse problema acontecendo até hoje, milhares de anos depois. Veja a quantidade de pessoas desqualificadas e até envolvidas em crimes que acabam ocupando espaços de poder no legislativo, executivo e até no judiciário dos diversos países democráticos.

Os gregos viram que geralmente as pessoas escolhem os políticos que prometem mais e mentem melhor. Elas escolhem os políticos por interesses pessoais, mesmo sabendo que os seus interesses prejudicam o restante da sociedade. As pessoas escolhem os políticos que vão prejudicar outras classes ou outros grupos considerados opositores (que pode ser o seu vizinho). As pessoas escolhem um político em troca de algum benefício ou ganho pessoal prejudicando os demais. Pouco importa para as pessoas se os eleitos são realmente qualificados e com as virtudes e atributos necessários para o cargo.

É por esse motivo que tanta gente desqualificada, despreparada e moralmente corrompida se tornam vereadores, deputados, senadores e até presidentes graças a democracia em diversos países.

São essas pessoas desqualificadas, democraticamente eleitas, que depois escolhem outros igualmente desqualificados para ocupar todos os outros cargos importantes, ministérios, tribunais superiores etc.

Na democracia observada pelos gregos, o grupo político que não está no poder trabalha diariamente para piorar as coisas em todos os sentidos. O objetivo é enfraquecer o atual governo até as próximas eleições ou até encontrar uma forma de derrubá-lo. Para os opositores, quanto pior, melhor. Não importando se toda a sociedade será prejudicada nessa luta por poder e interesses pessoais na democracia.

Então é comum observar nas democracias os estragos provocados por políticos que mentem, roubam e até matam na guerra por poder contra os grupos políticos rivais. Tudo em nome de interesses pessoais de um grupo. Nunca existe real interesse por governar o país para o tornar um lugar melhor para a vida de todos.

Eventualmente os três poderes da democracia passa a ser controlado pelo mesmo grupo político que rivaliza com outros grupos. A ideia que era a de dividir o poder em três, acaba não funcionando no longo prazo em várias democracias. Quando isso acontece é uma questão de tempo para o início do caos.

O mundo está cheio de países que se dizem democráticos, mas que são controlados por um único grupo político ou no máximo dois ou três grupos que fazem um revezamento de poder. Qualquer um que pensa diferente do grupo que tem o poder, acaba sendo perseguido, preso e até morto em nome da democracia.

Hoje existem vários grupos que não foram eleitos por ninguém tentando impor suas vontades a populações inteiras. Veja o que acontece na Europa. Quase todos os países estão submetidos a decisões da União Europeia e do Banco Central Europeu. As pessoas que tomam decisões sobre a vida de milhões de europeus não foram eleitas. Na prática, tanto faz qual será o presidente eleito em cada país, pois qualquer um estará submetido a União Europeia. E se não fosse assim, os países europeus estariam fazendo aquilo que sempre fizeram desde o início que foi se envolverem em guerras por poder e territórios. A história da Europa é uma história de guerras com alguns curtos períodos de paz entre elas.

Existem outras organizações no ocidente, que não foram eleitas, que impõem suas agendas constantemente. Exemplos: Nações Unidas e Fórum Econômico Mundial.

Seria então a democracia apenas uma história que nos contam para que possamos imaginar que estamos escolhendo alguma coisa?

Existe uma enorme diferença entre as coisas que nos dizem e as coisas como elas são.

É muito importante focar nossa atenção nas coisas como elas são.

Existe sim uma constante luta entre grupos diferentes pelo controle e pelo poder dentro de cada país.

As motivações são sempre econômicas. Quando esses grupos não se entendem, logo se inicia um conflito. Sempre foi assim e tudo indica que continuará sendo, pois existem grupos que possuem visões diferentes sobre como deve ser a relação econômica entre as pessoas.

Para alguns desses grupos é importante que exista a liberdade econômica, equilíbrio econômico e fiscal. Para outros grupos só existe o interesse de destruir o que temos hoje para mudar o sistema, colocando alguma utopia no lugar que geralmente concentra todo o poder em algum tipo de governo.

Infelizmente, muitos acreditam na ideia de um Estado grande, forte, poderoso, impondo regras e ditando como as pessoas deveriam viver em todos os seus aspectos. Isso nunca funcionou por muito tempo.

A história está cansada de nos mostrar que as democracias são corrompidas e logo se transformam em oligarquias que acabam implodindo em tiranias. E todos os tiranos possuem um fim trágico para que o ciclo recomece.

Na prática, ninguém parece realmente interessado na opinião de cada cidadão. Ninguém realmente se interessa pela liberdade das pessoas. Sempre é uma luta pelo controle da sua vida e do seu dinheiro. É importante entender isso rápido quando se é adulto. Você com sua família é a parte mais frágil nessas guerras por poder travada nos níveis superiores (onde não temos acesso).

A coisa mais importante que você pode fazer é dedicar seu tempo entendendo sobre como o mundo do dinheiro funciona para que você possa investir e defender o seu patrimônio em qualquer ambiente político, pois na prática tudo é uma grande narrativa. Ninguém lá fora está realmente preocupado com você.

Vou deixar aqui um trecho de um livro interessante chamado “Economia numa única lição”:

Enquanto certa política governamental procuraria beneficiar todo mundo a longo prazo, outra política beneficiaria apenas um grupo, à custa dos
demais. O grupo que se beneficiasse com esta política, tendo nela interesse direto, achá-la-ia plausível e pertinente. Contrataria os melhores cérebros que pudesse conseguir, para dedicarem todo o tempo na defesa de seu ponto de vista. E acabaria convencendo o público de que o caso é justo ou o confundiria de tal modo, que se tornaria quase impossível formar, sobre ele, um juízo claro. Além desses infindáveis argumentos relacionados ao interesse próprio, há um segundo fator principal que todos os dias semeia novas falácias. É a persistente tendência de os homens verem somente os efeitos imediatos de determinada política ou seus efeitos apenas num grupo especial, deixando de averiguar quais os efeitos dessa política a longo prazo, não só sobre esse determinado grupo, como sobre todos os demais.

É justamente essa luta por interesses próprios e a tendência humana de ver somente os efeitos imediatos, sem considerar as consequências não intencionais, que produzem todas as grandes crises econômicas que eventualmente se transformam em grandes guerras. E isso sempre acontece com apoio de multidões que não entendem tudo que acontece nos bastidores ou nas entrelinhas da política e da economia. Como destaquei no texto acima, eles estão sempre confundindo tudo, de tal modo que se torna difícil formar juízo claro sobre o que acontece na economia, política e outros aspectos da vida.

Apesar de tudo isso ou a partir de tudo isso, devemos continuar nossos estudos para que possamos aprender cada vez mais a cuidar do nosso patrimônio em tempos fáceis e em tempos difíceis, não importando o sistema. Estude, pois ninguém fará isso por você.

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