Um fenômeno comum, entre as pessoas que decidem se educar financeiramente, é a profunda mudança que ocorre no seu estilo de vida, valores e modo de pensar sobre a realidade.

É por isso que podemos dizer que se trata de uma jornada, pois as pessoas frequentemente experimentam transformações drásticas em suas vidas no decorrer da mesma.

Eu acredito que essas mudanças são um reflexo, não apenas de escolhas financeiras, mas também de uma nova mentalidade que vai surgindo gradualmente sem que se perceba.

Sempre vejo depoimentos de leitores falando sobre isso e vou compartilhar algumas coisas que percebi nessa última década escrevendo sobre educação financeira aqui no Clube dos Poupadores.

Vida focada

A primeira mudança é de foco. As pessoas deixam de focar suas vidas no consumo imediato e passam a pensar mais em poupar e acumular capital e ativos que geram receita. E não estou falando aqui sobre privações, mas sobre escolher investir em um futuro financeiro melhor, onde teremos mais e melhores opções.

As pessoas percebem que exagerar no consumismo, no endividamento e na falta de uma poupança para o futuro é o mesmo que apostar que a vida será curta. Aqui temos algo perigoso.

Apostar que a vida será curta é algo autorrealizável. A lógica sugere que pessoas que planejam e economizam para o futuro tendem a adotar comportamentos que aumentam a probabilidade de um futuro saudável e próspero para ser aproveitado. Isso pode incluir cuidados com a saúde, investimentos financeiros prudentes e a busca por um estilo de vida equilibrado.

Por outro lado, aqueles que se concentram principalmente no presente podem não estar tão inclinados a fazer sacrifícios imediatos para benefícios futuros. Isso pode resultar em menos economia e potencialmente menos atenção à saúde e ao bem-estar a longo prazo. Pessoas focadas somente no presente tendem a não se preocupar em colecionar virtudes e combater vícios morais.

Minimalismo

Percebo que muitos leitores acabam adotando um estilo de vida minimalista, valorizando a qualidade em vez da quantidade.

As pessoas passam a ter um interesse crescente em aprender sobre finanças pessoais, investimentos e economia. Isso leva a decisões mais conscientes e autônomas, ou seja, você fica menos dependente das recomendações de funcionários de bancos, corretoras e influenciadores patrocinados por essas instituições. Inclusive, esse é um grande mal que temos hoje. Milhões de brasileiros acompanham influenciadores que são direta ou indiretamente comandados por instituições financeiras.

Fontes de renda

Para quem tem uma renda muito limitada, o planejamento financeiro torna-se uma prática regular, e o orçamento é seguido com maior disciplina para garantir que as metas de poupança e investimento sejam atingidas. Na prática, as pessoas definem quanto podem gastar por mês em cada área da vida. Orçamento é algo que todas as empesas fazem e algo que os governos se recusam a fazer (pois quem paga a conta é a população).

Com o passar do tempo, as pessoas procuram aumentar seus rendimentos por meio de trabalhos paralelos, investimentos ou desenvolvendo habilidades que possam ser monetizadas. É natural perceber que um salário fixo dificulta a jornada até a independência financeira. É natural pensar em outras formas de gerar renda passiva ou mesmo renda fruto de algum tipo de empreendimento.

Gratificação imediata ou tranquilidade futura?

A gratificações imediatas são substituídas pela buscando diária da paz proporcionada por um patrimônio crescente que oferece cada vez mais segurança e tranquilidade financeira.

As pessoas que iniciam a jornada endividadas tentem a se livrar dessas dívidas como primeira etapa. A redução e eliminação de dívidas torna-se uma prioridade, pois é compreendido que as dívidas são obstáculos para a liberdade financeira. A ideia é a de que você tenha ativos que geram renda e não ativos que geram despesas.

Mudança de amizades e solidão

É muito comum uma mudança no círculo social. As pessoas vão se aproximando de pessoas com mentalidades semelhantes e que apoiam os objetivos financeiros. Não é raro as pessoas se sentirem mais solitárias. Se todos os seus amigos estão nadando na lama das dívidas, dos problemas financeiros e do consumismo fútil, não faz sentido desejar continuar nadando na lama junto com eles.

Tirando os outros da lama

Com o crescimento do patrimônio, algumas pessoas passam a considerar a possibilidade de ajudar outras pessoas. Elas percebem que tem mais dinheiro e conhecimento e que podem ajudar de alguma forma os que estão nadando na lama da ignorância financeira. Logo percebem que nem sempre quem chafurda no lamaçal da ignorância está disposto a sair dela.

Também é natural que você tenda a se voltar mais para você e menos para os outros. Isso significa uma maior preocupação com sua saúde física, sua saúde mental, seu desenvolvimento intelectual e seu crescimento espiritual na busca por mais virtudes e menos vícios.

Descoberta do Tesouro

Inicialmente, a busca pela independência financeira pode começar com um foco quase exclusivo no aspecto material – acumulação de riqueza, gestão eficiente de recursos, realizações de sonhos de infância que envolve comprar algo etc. No entanto, ao longo dessa jornada, as pessoas frequentemente descobrem que as questões financeiras estão intrinsecamente ligadas a aspectos mais profundos.

A disciplina necessária para economizar e investir acaba levando ao desenvolvimento de virtudes como paciência, persistência e temperança. Estas são qualidades que transcendem o contexto financeiro e contribuem para o crescimento pessoal, produzindo efeitos em todas as áreas da vida.

Com o tempo, a busca pela independência financeira pode se transformar em uma jornada de autorealização, onde o verdadeiro tesouro é a transformação interior que ocorre.

Na prática, as pessoas são atraídas por um tipo de riqueza e acabam descobrindo outro tipo de tesouro, verdadeira fonte de todas as outras riquezas.

Armadilha para a transformação

A busca por mais dinheiro funciona como uma isca. Logo você vai evoluir para um poderoso caminho de transformação pessoal. A acumulação de riqueza se torna apenas uma parte da jornada; o verdadeiro objetivo se revela como o desenvolvimento moral e espiritual. No final, o maior tesouro é o crescimento interno e a sabedoria adquirida, não apenas a riqueza material que também será acumulada no processo.

O problema é que se não existir o desenvolvimento pessoal, moral e espiritual na jornada até a independência financeira, o processo de enriquecimento tende a ser autodestrutivo. Você deveria se preocupar com isso se estiver no meio do caminho.

O risco

A busca por riqueza, sem desenvolver virtudes, tem o risco de se tornar uma obsessão ou substitui outras necessidades humanas fundamentais. Pode levar a um vazio existencial, onde a riqueza material se acumula, mas o bem-estar emocional e espiritual é negligenciado. Sem um propósito maior ou sem um embasamento em princípios sólidos, a busca pela independência financeira pode se tornar uma fonte de orgulho, ganância ou alienação.

Início da mudança

Dessa forma, o enriquecimento deve ser acompanhado por um aprofundamento da consciência, um fortalecimento do caráter e um compromisso renovado com valores éticos e espirituais. Aqui no Clube dos Poupadores existem pessoas nos mais variados estágios dessa jornada que descrevi. Recomendo que você conheça o meu novo livro sobre Virtudes, Vícios e Independência Financeira.

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