A última vez que tivemos juros prefixados de prazo longo menores que os juros prefixados de curto prazo foi na crise ocorrida entre 2015 e 2016. Naquele tempo tivemos uma boa oportunidade para a compra de títulos públicos prefixados e indexados ao IPCA além de títulos bancários como CDB, LCI e LCA com taxas elevadas. Agora no final de 2021 temos o mesmo fenômeno que pode gerar oportunidades mais na frente se existirem expectativas de melhora da atual situação.

Para facilitar o estudo do comportamento dos juros, todos os meses eu anoto as taxas prefixadas que a Anbima divulga com as taxas de juros de todos os títulos públicos negociados, incluindo aqueles que só são negociados entre instituições financeiras. Com base nessas anotações eu faço o gráfico da curva de juros atualizado mensalmente que compartilho (nesse endereço aqui). É possível ver o gráfico com os juros prefixados e indexados ao IPCA de diversos vencimentos (dias). Também é possível ver  a inflação implícita que é a diferença entre os juros prefixados e os juros dos títulos indexados ao IPCA. A ideia é sempre a de ajudar outros pequenos investidores que são esquecidos pelas grandes instituições que monopolizam esse tipo de informação.

Recentemente eu publiquei outra ferramenta aqui no Clube dos Poupadores que gera um gráfico atualizado com os rendimentos dos títulos públicos brasileiros (bond yield) tendo como base uma fonte estrangeira de informações. Muitos investidores estrangeiros buscam oportunidades em títulos prefixados de outros países e fazem estudos como esse. Cada linha colorida representa taxas de títulos que vencem nos próximos anos.

Quando todas as taxas estão muito próximas temos uma crise em andamento ou uma expectativa negativa com relação ao futuro próximo (1 ou 2 anos).

Quando as taxas estão se afastando com juros mais curtos cada vez menores e distantes dos mais longos, temos uma fase de otimismo com relação ao futuro ou sobre uma recuperação da economia. O gráfico abaixo atualizado diariamente pode ser visto aqui. A imagem abaixo é uma foto que tirei no dia que este artigo foi escrito.

No gráfico acima a linha laranja mostra a taxa de juros de títulos públicos que vencem nos próximos 12 meses e que são negociados entre as instituições financeiras. A linha amarela representa os títulos que vencem em 2 anos. A linha verde representa taxas de títulos que vencem em 3 anos e a linha azul são os títulos que vencem em 10 anos. Veja que com o passar do tempo essas taxas se aproximam e se afastam. É importante destacar que essas taxas influenciam a formação de preços e taxas de títulos públicos, títulos emitidos por bancos (CDB, LCI e LCA) e produzem suas consequências nas cotações de ações, fundos imobiliários etc. Devemos entender juro futuro como o preço do dinheiro ou um prêmio pelo risco. Quanto maior o juro futuro maior o prêmio oferecido para você não correr riscos.

O gráfico acima é o mesmo gráfico anterior com algumas áreas marcadas. Podemos entender que temos uma fase de otimismo no mercado quando todas as taxas de juros declinam enquanto os juros curtos se afastam dos juros longos. Esse otimismo vai diminuindo quando todas as taxas de juros iniciam uma trajetória de alta, principalmente quando as taxas curtas se aproximam muito das taxas longas ou até cruzam as taxas longas de baixo para cima.

Outra ferramenta que adicionei aqui no Clube dos Poupadores recentemente mede o spread de juros dos títulos públicos. Veja como funciona:

A área verde é a taxa que sobra quando deduzimos os juros de prefixados que vencem em 2 anos dos juros de prefixados que vencem em 10 anos. A área laranja é a mesma diferença utilizando títulos de 5 anos menos de 2 anos. A linha azul representa títulos de 2 anos menos de 1 ano. Quando os valores são positivos os juros longos são maiores que os curtos e esse valor é ascendente temos um clima de otimismo com relação ao futuro. Esse otimismo prejudica o rendimento da renda fixa e beneficia o rendimento dos investimentos de maior risco (ações e fundos imobiliários). Já quando as linhas estão declinando e entram no campo negativo temos um momento favorável para a renda fixa e desfavorável para a renda variável de maior risco.

Eu peguei as taxas de juros prefixadas divulgadas pela Anbima (veja aqui) dos meses de janeiro até novembro de 2021 (ficou faltando apenas o mês de março) e preparei uma animação que torna ainda mais fácil observar a “colisão” dos juros curtos com os juros longos no final de 2021. Esse gráfico animado é apenas um “retrato”, ou seja, ele não será atualizado automaticamente no futuro como ocorre com os gráficos que citei acima. Continue lendo para ver como funciona.

Cada linha representa a taxa de juros de títulos que vencem em 126 dias, 252 dias, 378 dias, 630 dias, 882 dias, 1134 dias, 1638 dias e 2142 dias úteis. Cada ano tem 252 dias úteis.

Clicando no gráfico acima sobre o mês de fevereiro você verá a animação recuando até aparecer esses números:

Como exemplo veja que a bola amarela onde está escrito os números “252 3,54”. Isso nos fala que em fevereiro de 2021 a taxa do título prefixado que vencia em 1 ano era de 3,54%. Provavelmente todos os CDBs, LCIs e LCAs com vencimento em 1 ano eram negociados com taxas próximas a essa em fevereiro de 2021. Com o passar dos meses a linha vai se movimentando indicando aumento da taxa. Na animação, veja que primeiro as taxas sobem mantendo a mesma distância até que em maio os juros curtos começam a se aproximar dos juros longos e isso se intensifica em outubro.

Como vimos em anos anteriores os juros longos e curtos podem permanecer próximos por um bom tempo e em tendência de alta até que em algum momento a demanda pelos títulos deve aumentar fazendo com que suas taxas iniciem uma tendência de baixa enquanto se afastam novamente. A fase de queda com o afastamento dos juros tende a ser favorável para a renda variável.

Este artigo não é uma recomendação de investimentos, mas é uma recomendação de estudo. Quanto mais você aprofundar seus conhecimentos sobre o funcionamento do dinheiro menos dependente você será das recomendações de investimentos dadas por terceiros. A liberdade financeira começa se livrando desse tipo de influência.

Se você ainda não entende com profundidade o funcionamento da renda fixa eu recomendo a leitura dos meus livros sobre o investimento em Títulos Públicos e o livro sobre investimentos em CDB, LCI e LCA, pois nesses livros eu trato esses temas partindo do básico até atingir temas mais avançados. São livros que acompanham gráficos, estudos e planilhas. Conheça também os meus outros livros sobre carteiras de investimento, análise de ações e investimentos no exterior.

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