Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) estão desenvolvendo uma moeda lastreada em ouro segundo a notícia da tv da russa “RT TV”, divulgada recentemente.

O texto da notícia diz assim: “O BRICS deve introduzir uma nova moeda lastreada em ouro, em contraste com o dólar americano lastreado em crédito (dívida), com a decisão chegando um mês antes da cúpula do bloco em Joanesburgo. Com a crescente iniciativa, mais e mais países estão se alinhando para se juntar ao grupo.” 

Existe uma versão em português com a dublagem feita por uma inteligência artificial, veja aqui. Pelo que pude pesquisar, os países abertos a usar a moeda lastreada em ouro criada pelos BRICS são esses: Argélia, Argentina, Bahrein, Bangladesh, Belarus, Egito, Indonésia, Irã, Cazaquistão, México, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Senegal, Sudão, Síria, Emirados Árabes, Tailândia, Tunísia, Turquia, Uruguai, Venezuela e Zimbábue. Grande parte desses países possui moedas fracas por culpa do tipo de político e ideologia que os governaram nas últimas décadas.

Vamos refletir sobre essa “possível ameaça” ao dólar americano.

O valor da moeda de um país é baseado em vários fatores, mas o fator mais importante é a confiança.

Você confia na moeda de um país se ela tiver lastro financeiro ou físico.

  • Lastro físico: é quando a moeda é garantida por um ativo físico, como o ouro ou a prata. Nesse caso, a moeda tem um valor intrínseco, pois pode ser trocada pelo ativo que a respalda. Antigamente, as moedas eram lastreadas em ouro, mas esse sistema foi abandonado na década de 1970.
  • Lastro financeiro (fiduciário): é quando a moeda é garantida pela confiança que as pessoas tem pelo governo de um país. Nesse caso, a moeda tem um valor extrínseco. Esse tipo de lastro depende da política monetária (juros), a política fiscal (arrecadação de impostos), a situação da dívida pública (títulos públicos), o crescimento econômico, a inflação, a balança comercial, as reservas internacionais e a credibilidade dos políticos que estão tomando decisões que interferem em todas essas variáveis.

O Brasil, assim como os EUA e quase todos os países possuem moedas fiduciárias que são lastreadas na capacidade do governo do país tomar riquezas da sociedade pela força (impostos) e na capacidade de fazer dívidas vendendo títulos públicos para essa mesma sociedade (que poupa) em troca de juros que no futuro serão pagos com mais impostos ou emissão de mais títulos.

Diante disso existe uma grande questão que devemos refletir: Os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) possuem dados financeiros confiáveis que sirvam de lastro? Como a resposta para essa pergunta é: NÃO, esses países precisam de um lastro físico como o ouro caso queiram deixar de usar moedas fortes de outros países.

Mas agora temos outra pergunta: Quem vai confiar na história de que essa nova moeda será realmente lastreada em ouro? Precisos de confiança.

Para que você confie nas informações divulgadas pelos políticos de um país é necessário que exista alguns tipos de liberdade como: imprensa, individual e financeira dentro desses países.

Entender isso é bem lógico. Se o país persegue os veículos de imprensa que fazem oposição ao governo e se ele persegue as pessoas que falam qualquer coisa contra as narrativas econômicas que os políticos inventam, você certamente não terá informações confiáveis e assim será difícil acreditar na força de uma moeda, seja ela lastreada em dívida ou lastreada na história de que existe ouro por trás dela. Quando você não confia, você entende que qualquer regra dita hoje pode ser alterada no dia seguinte.

Então vamos investigar nos rankings públicos de liberdade de imprensa, liberdade individual e liberdade financeira para verificar a situação dos países que fazem parte do BRICS e que querem criar uma moeda de ouro que salvará o mundo e todos os países que possuem moedas que não valem nada:

  • O Brasil ocupa a 111ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, que é uma posição muito ruim. Com relação a liberdade individual o Brasil ocupa a 82ª posição no Índice de Liberdade Humana. Sobre liberdade financeira o país ocupa a 144ª posição no Índice de Liberdade Econômica. Todos esses números são considerados ruins.
  • E como será a situação na Rússia? Sobre liberdade de imprensa a Rússia ocupa a 149ª posição (pior que o Brasil). Sobre a liberdade individual o país ocupa a 114ª posição. Sobre a liberdade financeira o país ocupa a 94ª posição. Todos esses números são ruins.
  • Talvez na Índia, a situação seja melhor? Com relação a liberdade de imprensa o país ocupa a 142ª posição. Sobre a liberdade individual o país ocupa a 111ª. Sobre a liberdade financeira o país ocupa a 120ª posição.
  • Com fica a situação da China? Sobre a liberdade de imprensa é a pior do BRICS até o momento, o país ocupa a 177ª posição (pior dessa lista). Sobre a liberdade individual o país ocupa a 129ª posição. Sobre a liberdade financeira o país ocupa a 103ª.
  • Por fim a África do Sul, que é o mais pobre do BRICS. O país ocupa a 31ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2020, que é uma boa posição. Sobre a liberdade individual o país ocupa a 63ª posição que é uma posição mediana. Sobre a liberdade financeira o país ocupa a 99ª posição.

Como é possível confiar em uma nova moeda que dizem ser lastreada em ouro quando os países envolvidos estão entre os piores com relação a liberdade que deveria existir para divulgar as informações sobre a política e a economia dos governos que fazem essa afirmação?

Logo abaixo temos um gráfico interessante que você pode criar visitando aqui. Ele mostra a nota (entre 0 e 100) da “Integridade dos Governos”. A média dos 5 governos que fazem parte do BRICS foi de 39,9. Todos estão classificados com nota muito baixa e por isso estão na zona vermelha.

Mas o que seria a “integridade do governo” com essa média tão baixa (39,9)? O guia do índice (fonte) apresenta uma explicação: quanto menor for a “integridade do governo” maior a presença de corrupção sistêmica, suborno, nepotismo, clientelismo, peculato e outros crimes que afetam a integridade do governo que controla o país. É possível confiar na moeda de um grupo de países nessa situação?

Logo abaixo temos outro gráfico importante dos BRICS sobre liberdade.

O gráfico acima fala sobre a liberdade financeira. A nota de entre 0 e 100 desse índice para os 5 países também é muito baixa (38). Quanto menor essa nota, pior é a situação de transparência e veracidade (integridade) sobre a economia e o mercado financeiro nesses países. Quanto menor a nota, pior é o sistema regulatório e maior o risco de fraudes no sistema financeiro e nos dados da própria economia. Essa pontuação também é menor quando o governo tem o costume de intervir nos mercados prejudicando os investidores, empresários e consumidores.

Caso você queira investigar quais são os melhores países com relação a todos esses indicadores visite aqui. Você vai descobrir que os BRICS estão querendo rivalizar com países que estão em situação muito melhor com relação a todos esses indicadores de liberdade.

Sobre as dezenas de outros países que estão interessados na moeda de ouro do BRICS é interessante observar o índice de liberdade econômica de cada um, com base no relatório da Heritage Foundation (2021):

– Argélia: 46,9 (liberdade reprimida)
– Argentina: 53,1 (liberdade majoritariamente não-livre)
– Bahrein: 66,3 (moderadamente livre)
– Bangladesh: 55,1 (majoritariamente não-livre)
– Belarus: 61,7 (moderadamente livre)
– Egito: 54,0 (majoritariamente não-livre)
– Indonésia: 64,4 (moderadamente livre)
– Irã: 49,2 (liberdade reprimida)
– Cazaquistão: 63,3 (moderadamente livre)
– México: 66,0 (moderadamente livre)
– Nicarágua: 57,2 (majoritariamente não-livre)
– Nigéria: 57,2 (majoritariamente não-livre)
– Paquistão: 54,8 (majoritariamente não-livre)
– Arábia Saudita: 62,4 (moderadamente livre)
– Senegal: 59,3 (majoritariamente não-livre)
– Sudão: 46,5 (liberdade reprimida)
– Síria: 43,5 (liberdade reprimida)
– Emirados Árabes Unidos: 76,9 (majoritariamente livre)
– Tailândia: 69,7 (moderadamente livre)
– Tunísia: 55,8 (majoritariamente não-livre)
– Turquia: 64,4 (moderadamente livre)
– Uruguai: 69,1 (moderadamente livre)
– Venezuela: 25,2 (liberdade reprimida)
– Zimbábue: 43,1 (liberdade reprimida)

O que podemos concluir é que, infelizmente, o Brasil está se esforçando para se tornar aliado de países em situação preocupante com relação a uma série de indicadores de liberdade.

Como já falei outras vezes, não existe educação financeira quando não existe liberdade, pois o objetivo da boa educação financeira é a de conquistar um elevado nível de liberdade e independência.

Pessoas não enriquecem sem liberdade. OS países ricos são feitos de pessoas que enriquecem por serem livres para isso.

A visão de mundo de muitos políticos que seguem determinadas ideologias que marcaram a história de todos esses países do BRICS (e seus países apoiadores), não tem qualquer relação com liberdade das pessoas e independência financeira. Sempre foi e continua sendo justamente o oposto disso.

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