O reequilíbrio da sua carteira de investimentos consiste na compra ou mesmo na venda de parte dos seus ativos até que a sua carteira retorne para a sua composição original. Você verá neste artigo que o reequilíbrio, quando bem planejado e executado, ajuda você a perder menos tempo acompanhando o mercado e evita decisões baseadas em emoções (medo e ganância).

As decisões de compra e venda de ações, fundos imobiliários, ETFs, títulos públicos e outros ativos de renda variável e renda fixa se tornam “automatizadas” já que estão baseados padrões matemáticos que qualquer pessoa leiga é capaz de entender, caso queira.

O reequilíbrio sempre é necessário porque, com o tempo, alguns de seus investimentos podem se valorizar ou perder valor, desconfigurando a composição da carteira que você definiu inicialmente com base o seu nível de tolerância ao risco e os seus objetivos de longo prazo.

Nada melhor do que um exemplo para entender. Para isso eu preparei o gráfico abaixo.

Imagine que você já estudou sobre carteiras de investimentos e definiu que a melhor carteira para você deve ter 25% em renda variável e 75% em renda fixa em diversos ativos que você também definiu por meio dos seus estudos. Você considerou a sua situação financeira atual, seu nível de tolerância ao risco e sua visão/objetivos para o futuro. Perceba que tudo isso é muito pessoal e por este motivo só você pode definir a composição ideal da sua carteira de investimentos.

Neste exemplo simplificado e didático a composição 25%/75% está representada pela figura 1 do gráfico abaixo. Você pode clicar na imagem para ampliar.

Agora que a sua carteira está pronta, vamos imaginar que nos meses seguintes os ativos de renda variável iniciaram um processo corretivo, ou seja, seus ativos (ações, ETFs, fundos etc.) ficaram mais baratos. Após essa longa queda você verificou que do total da sua carteira somente 15% do patrimônio estava em renda variável enquanto o restante (85%) estava em renda fixa. Veja que agora a carteira teria a composição da figura 2, ou seja, agora você teria uma carteira 15%/85%. Isso significa que você teria perdido sua composição original que era de 25%/75%.

Diante esse desequilíbrio você resolveu iniciar o processo de reequilíbrio da carteira. Isso foi feito comprando ativos de renda variável até que sua carteira voltasse a ter 25% em renda variável e 75% em renda fixa. No final do processo você teria a composição da figura 3, que é a mesma composição original da figura 1. Perceba que se você souber selecionar bons ativos de renda variável, como boas ações, você provavelmente fará o reequilíbrio da sua carteira aproveitando a oportunidade dada pelo mercado em processo de correção, ou seja, você provavelmente comprará bons ativos pagando menos. O dinheiro utilizado nesse processo pode ser “dinheiro novo” que você poupou mensalmente e reservou para esse dia do reequilíbrio ou pode ser dinheiro que você conseguiu vendendo parte dos ativos de renda fixa (exemplo: títulos públicos).

Vamos imaginar que após reequilibrar a sua carteira o mercado iniciou uma onda de otimismo. Os investimentos de renda variável se valorizaram muito e após alguns meses a sua carteira sofreu um novo desequilíbrio atingindo a composição que temos na figura 4 com 55%/45% que equivale a 55% da carteira em renda variável e 45% em renda fixa.

Então você decide iniciar um novo processo de reequilíbrio da sua carteira, pois nunca foi o seu objetivo manter um percentual tão alto de renda variável na carteira, pois você já entendeu através dos seus estudos que esse percentual é incompatível com a sua realidade financeira, seus planos para o futuro e seu nível de tolerância ao risco. Para reequilibrar sua carteira nesta situação você começou a vender aos poucos parte dos ativos de renda variável que mais valorizaram.

Com esses lucros (ganho de capital) você resolveu comprar ativos de renda fixa até que a carteira voltasse para a composição original de 25% em renda variável e 75% em renda fixa, como mostra a figura 1.

Observe atentamente que nesse processo você provavelmente venderia parte dos ativos de renda variável depois de grandes altas nos seus preços. Veja que esta seria uma forma de proteger os lucros conquistados além de construir uma reserva para aproveitar outras “promoções” no futuro. Na renda variável, são essas correções que ocorrem de tempos em tempos que nos permitem adquirir bons ativos por bons preços.

Esse reequilíbrio também poderia ser feito adicionando dinheiro novo, ou seja, se você tem o costume de poupar todos os meses teria reequilibrado a carteira investindo em renda fixa para que essa parte da sua carteira pudesse acompanhar proporcionalmente a alta da renda variável. Isto também seria uma forma de guardar dinheiro novo na renda fixa para a próxima correção na renda variável que abriria oportunidades para a compra de bons ativos por bons preços.

Tente perceber que quando você aprende a gerenciar a sua carteira de investimentos, a matemática simples envolvida no processo obriga você a comprar ativos quando eles estão baratos e vender parte desses ativos quando eles estão muito caros (preservando parte dos seus lucros).

Observe também que quando você aprende a gerenciar a sua carteira, você também está sempre mantendo seus investimentos dentro de níveis confortáveis de exposição ao risco, pois a sua tolerância ao risco é parte do processo de escolha da composição da sua carteira. Assim você nunca terá uma classe de ativos super enfatizada ou muito concentrada na sua carteira, já que existem “gatilhos” que vão alertar você sobre a necessidade de iniciar um processo de reequilíbrio da carteira. E geralmente as pessoas olham muito o retorno de suas carteiras, mas se esquecem de calcular o risco e comparar o retorno obtido por risco corrido.

Esses movimentos que exemplifiquei de forma super simplificada é a essência do que os grandes investidores, gestores de fundos e de grandes fortunas fazem durante o ano. Enquanto isso os pequenos investidores ficam entretidos (distraídos) com as recomendações de compra e venda que essas mesmas pessoas fazem na imprensa.

Geralmente grandes correções acontecem após a renda variável atingir determinados níveis de alta provocando um desequilíbrio generalizado nas carteiras de todos os investidores. Por seguirem modelos matemáticos, esses investidores profissionais são praticamente obrigados, pelo modelo, a vender parte dos ativos que valorizaram muito e isso inevitavelmente acaba produzindo um processo corretivo generalizado em todo o mercado.

Da próxima, vez fique atento: sempre que aparecem grandes investidores e gestores de fundos reclamando que a bolsa está cara, isso significa que eles já fizeram o dever de casa. Eles venderam parte dos seus ativos e estão com muito dinheiro em caixa (renda fixa) esperando a próxima correção. Já quando gestores e grandes investidores aparecem falando que a bolsa está muito barata e cheia de oportunidades, isso significa que eles já compraram todos os ativos de renda variável que queriam. O fato é que eles sempre estão reequilibrando suas carteiras aproveitando os momentos de euforia (ganância) e de medo que se espalha pelos mercados.

Para concluir é importante destacar que aqui eu usei um exemplo simples onde dividimos os investimentos em dois grandes grupos: renda fixa e renda variável, mas na prática a sua carteira de renda fixa será dividida em diversos grupos que também sofrerão desequilíbrios como a renda fixa pós-fixada, renda fixa prefixada e renda fixa indexada ao IPCA. Já a renda variável poderia ser dividida em diversos grupos como ações brasileiras, ações estrangeiras, ações de setores específicos da economia, moedas, fundos imobiliários etc. Esses grupos podem se dividir em subgrupos e assim por diante. Ao montar a sua carteira você pode definir percentuais para cada grupo de investimentos e depois adotar o reequilíbrio.

A parte difícil do reequilíbrio de uma carteira está na disciplina, pois é justamente quando existe um pessimismo generalizado que reequilibramos a carteira (de forma lenta) comprando os ativos que mais caíram. Já na euforia, onde todos estão comprando, o modelo de reequilíbrio nos obriga a realizar lucros aos poucos, também de forma lenta.

Ao montar uma carteira de investimentos temos como maior objetivo retirar o fator emocional das decisões já que existe uma matemática envolvida que nos motiva a vender ativos quando todos estão exageradamente otimistas e comprar ativos quando todos estão exageradamente pessimistas.

Muitos investidores fazem o reequilíbrio de suas carteiras em intervalos regulares de tempo. Alguns reequilibram todos os meses, outros fazem a cada trimestre quando as empresas divulgam seus balanços, existem aqueles que reequilibram apenas 2 vezes por ano (nas grandes correções que ocorrem no meio do ano e grandes altas no final do ano) e existem até aqueles que só fazem seus reequilíbrios uma vez por ano. Também existem os investidores que adotam um percentual máximo e mínimo da carteira para cada ativo e quando os ativos atingem esses limites eles iniciam o processo de reequilíbrio. Neste caso é o próprio mercado que dirá para você quando deve reequilibrar. As duas estratégias podem ser combinadas.

Eu escrevi um livro completo com mais de 200 páginas falando sobre como montar, simular e reequilibrar carteira de investimentos através de uma linguagem muito didática. O livro é repleto de exemplos práticos, ferramentas online e dezenas de planilhas que desenvolvi para o meu próprio uso. Caso queira se aprofundar adquira e baixe o livro agora mesmo.

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