Aqui temos um alerta vermelho para aqueles que investem ou trabalham em empresas que não geram lucros e que, ao mesmo tempo, estão empenhadas (gastando tempo e muito dinheiro) em questões sociais, ambientais ou que envolva algum tipo de militância, ideologia política e sinalização de virtudes como base de sua estratégia de marketing.
Na semana passada, dia 10/03/2023, quebrou um dos bancos que mais defende e representam esse tipo de agenda no mundo, com objetivo de atrair investidores jovens (gerações Y e Z) que valorizam questões subjetivas e ideológicas quando tomam decisões de investimentos. Recentemente eu escrevi um artigo mostrando as diferenças entre as diversas gerações e como as gerações mais jovens representam um risco para as gerações de seus pais e avós que estão poupando e investindo para conquistar a independência financeira. Caso não tenha lido o artigo, visite aqui.
O banco que acaba de quebrar nos EUA se chama Silicon Valley Bank (SVB). Desde a crise financeira de 2008, não se via um banco do porte do Silicon Valley Bank (SVB) quebrando nos EUA. Existe um grande medo no mercado financeiro de que isso possa ser apenas o início ou o alerta vermelho de um colapso no sistema financeiro, especialmente de instituições que investem em negócios de elevado risco e sem lucros (startups), criptoativos e outras áreas chamadas de “inovadoras” (fonte).
Esse banco era conhecida por suas políticas relacionadas a “cultura woke”, que descrevi no artigo sobre as gerações dos investidores (assista pelo menos ao vídeo que existe no artigo para saber o que é). Muitos investidores e clientes do banco SVB estão furiosos e podemos ver muitos relatos sobre isso na Internet. Antes de quebrar, as ações do banco já tinham perdido quase 90% do seu valor e agora os clientes do banco estão com dificuldades para sacar o dinheiro que tinham depositado na instituição.
Quero destacar aqui as críticas contra esse banco que foram feitas pelo sócio fundador (Bernie Marcus de 93 anos) de uma empresa varejista americana especializada em produtos para construção, chamada Home Depot (uma das maiores varejistas de produtos para casa do mundo). Ele insinuou que as políticas “woke” poderiam ter levado ao dramático fracasso do banco SVB e de todos seus clientes. Nos EUA, assim como no Brasil, muitas empresas estão gastando suas energias envolvidas em políticas e ideologias.
Ele disse o seguinte (fonte):
“Me sinto mal por todas essas pessoas que perderam todo o seu dinheiro neste banco “woke”. Foi angustiante ouvir dizer que os funcionários desse banco venderam suas ações antes do banco quebrar (prejudicando todos que investiram nas ações do banco). É deprimente para mim” (fonte)
Ele acredita que os diretores e funcionários do banco ficarão impunes por defenderem ideologias e militâncias “woke”, que estão em sintonia com os políticos que comandam os EUA nesse momento (esquerda progressista) alinhados com uma série de agendas internacionais que visam interferir na vida das pessoas com base em alguma militância. O velho empresário ainda culpou o governo Biden por pressionar empresas e bancos a considerarem questões ideológicas, políticas e ambientais em detrimento dos lucros. Ele fala sobre isso ser uma armadilha econômica catastrófica.
Na prática, no passado, empresas eram criadas para oferecer bons produtos e serviços para a sociedade com objetivo de obter lucros. Eram com esses lucros que elas faziam novos investimentos, geravam empregos e recolhiam os impostos para o governo. Com esses impostos, o governo poderia/deveria cuidar das questões que considera relevante, com base em suas ideologias políticas e na vontade das pessoas que votaram nesses políticos. Hoje as empresas estão mais preocupadas em seguir uma determinada agenda para que possam ter acesso ao dinheiro barato, subsídios, incentivos oferecidos por bancos, fundos de investimentos e pelo próprio governo com base em militância para a construção de “um mundo melhor”.
O empresário ainda diz:
“Esses bancos são mal administrados porque todos estão focados na diversidade e em todas as questões “woke” e não se concentram na única coisa que deveriam, que é o retorno dos acionistas (geração de lucros). Em vez de proteger os acionistas e seus funcionários, eles estão mais preocupados com as políticas. E eu acho que provavelmente é um banco mal administrado. É patético que tantas pessoas tenham perdido tanto dinheiro. Talvez o povo americano finalmente acorde e entenda que estamos vivendo em tempos muito difíceis, que, de fato, uma recessão pode já ter começado”, disse Marcus (fonte).
Para piorar a situação, existem indícios de que pessoas que fazem parte do banco e grandes clientes do banco, sabiam o que estava prestes a acontecer. Muitos clientes conseguiram tirar bilhões de dólares do banco antes da quebra. Funcionários do banco venderam suas ações antes do banco quebrar. Não parece compatível com o esforço que a empresa fazia para sinalizar virtudes em suas estratégias de marketing.
Mais de 5000 CEOs e fundadores de empresas americanas (que empregam juntos 500 mil funcionários) assinaram uma petição pedindo para que os reguladores do governo intervenham no banco alertando que mais de 100.000 empregos podem estar em risco (fonte). O grande problema é existem US$ 173 bilhões em depósitos de clientes dentro do banco quebrado. A maior parte desse dinheiro (US$ 151,5 bilhões) não poderá ser devolvida pelo FDIC, que é equivalente ao FGC nos EUA. Esses valores ultrapassam os US$ 250 mil por cliente que são segurados pelo FDIC no caso da quebra de um banco (no Brasil o FGC garante R$ 250 mil por cliente do banco). O governo Biden já sinalizou que vai intervir para evitar uma quebra generalizada de bancos menores e de empresas nos EUA por consequência da quebra desse banco. Isso naturalmente significa que as pessoas que pagam impostos nos EUA serão penalizadas com esse tipo de ajuda dos políticos.
No Brasil existem muitos exemplos de bancos, corretoras e empresas listadas na bolsa (de vários setores) que gastam muito dinheiro e muita energia para sinalizar virtudes atendendo agendas ideológicas que representam algum tipo de militância por questão de marketing. Eu falo sobre os riscos que isso representa para os investidores no meu novo livro sobre proteção de patrimônio.
Empresas deveriam apenas focar na oferta dos melhores produtos/serviços para todas as pessoas, pelos melhores preços (para todos), para lucrar e com isso poder reinvestir, gerando empregos (para todos) e assim poder recolher os impostos para que os governos façam a sua parte, para benefício de toda a sociedade. Essa é a teoria que não acontece mais.
Sabemos que não é isso que está acontecendo em todas as grandes empresas e já estamos observando as consequências. Temos um sério problema geracional.
É importante manter sua carteira de investimentos diversificada e com todos os cuidados para a proteção do seu patrimônio. A população mundial está envelhecendo e a taxa de natalidade está caindo. Dentro de poucas décadas todas as empresas, bancos e o mundo da política serão dominados por uma geração despreparada. Uma geração “empoderada”, soberba, que resolveu “criar um mundo melhor” através da destruição e da desvalorização de todos os feitos e valores dos seus pais e avós.
Faixa Etária | Percentual da População Mundial |
---|---|
0-14 anos | 25,7% |
15-24 anos | 16,7% |
25-54 anos | 41,6% |
55-64 anos | 9,1% |
65 anos ou mais | 7% |
Não faltam muitas décadas para que uma parcela enorme da população mundial fique dependente dos “feitos” e “talentos” das gerações mais jovens. Você deve se preparar.
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Sou investidor e meu patrimônio está alocado 80% em ações e tenho quase 60 anos; agora vou te dizer uma coisa, não adianta perder tempo deblaterando contra essa mentalidade que impera atualmente no que concerne a gerações mais novas, isso é enxugar gelo, essa turma dão as cartas do jogo mesmo.
Olá José. Estou apenas me preparando para o que está por vir e acredito que as pessoas deveriam se informar melhor para que possam se preparar também. Ninguém fará isso por nós.
Muito esclarecedor, Leandro!
Sem ter o rabo preso, você vai direto na raiz do problema. Já vi comentários sobre SVB de economistas que nem ousam tocar no assunto “woke”.
Já estou lendo seu novo livro, refletindo nas lições, preocupado e esperançoso com relação ao futuro.
Abraço e parabéns pela coragem e pela missão que você abraçou!
Olá Gustavo, obrigado. Não sou patrocinado por bancos e corretoras e por esse motivo eu escrevo e compartilho o que penso, com base nos estudos que faço sobre os meus próprios investimentos pessoais.
E tem jeito de se preparar pra isso? Se a sociedade colapsar acho que não há estratégia de investimento que garanta alguma coisa. Só terra e metais nobres em espécie, isso se você tiver meios de defender suas posses.
Oi Fabio. O colapso é lento e as preparações seguem o processo.
Mais um texto coerente, claro e fácil de entender.
Parabéns pelo conteúdo.
Obrigado Darlan
No Brasil, será que o governo de esquerda vai respeitar os R$250.000,00 do FGC.
Tem como eles quebrarem esse valor, reduzindo-o?
No Brasil, o Fundo Garantidor de Crédito não pertence ao governo. O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantido pelas próprias instituições financeiras que são associadas (obrigatoriamente), por meio de contribuições mensais que correspondem a um percentual dos recursos que cada banco possui. Dessa forma, não estamos falando de dinheiro do governo. Nos EUA existe o Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) que é uma instituição do governo e o dinheiro que utilizam também são de taxas que os bancos associados pagam.
O melhor blog de educação financeira. Simples assim! Mais um excelente texto, direto ao ponto. “Uma geração “empoderada”, soberba, que resolveu “criar um mundo melhor” através da destruição e da desvalorização de todos os feitos e valores dos seus pais e avós.” Perfeita colocação. Mas quando a realidade chega, aí não há o que fazer. E os hipócritas, como sempre, salvando seu próprio patrimônio antes da quebradeira
Oi Lucas. O que acontece que acontece mesmo.
Bom dia Leandro! Parabéns pelo texto.
Em sua visão, quais bancos no Brasil hoje majoritariamente se dedicam mais a temas ideológicos do que aos fundamentos da economia?
Logicamente fique a vontade para não responder se entender não adequado ou ético ou se for lhe expor e causar transtornos.
Olá Joaquim, todos, em algum grau, estão tomando decisões com base em questões ideológicas. Essa agenda “ESG” acaba forçando todos eles a agir dessa forma. As empresas, clientes desses bancos, também são forçadas a tomar decisões que nem sempre resultam em melhores resultados para os clientes e para os investidores, pois se isso não for feito elas não conseguem ter acesso a determinadas linhas de crédito, não conseguem receber determinados investimentos e nem participar de alguns negócios. Veja um exemplo na imagem abaixo. É mais barato para a empresa adotar essas estratégias que “sinalizam” que elas são “boazinhas” com as pessoas e com a natureza, quando na maioria das vezes isso é apenas marketing e hipocrisia que no longo prazo pode resultar em prejuízos para todos. É importante nunca concentrar todos os seus recursos em uma única instituição. É bom sempre diversificar:
Acho valido o sistema ESG quando um banco por exemplo não financia um empresario de vinhos, ou confecções e logistas que compram e/ou produzem roupas que usam trabalhadores com tipo de trabalho analogo a escravidão. Não iria compactuar com uma empresa que para “proteger seu lucro e acionistas” se vale desses fatores para ganhar mais. Não dá para criticar isso não. Desculpe se você discorda mas é uma questão até de ética.
Olá Beatriz. Trabalho escravo é crime no mundo inteiro. Quando realmente fica provado o trabalho escravo, as empresas deixam de existir. Se você toma decisão de investimento com base em ESG, recomendo que você pesquise com mais profundidade tudo que está por trás dessa agenda. Não é exatamente o que você imagina.
Olá, o que achas do Bitcoin? Tenho estudado muito sobre o bitcoin, que parece ser uma interessante reserva de valor. Ele tem as mesmas propriedades do ouro (escassez), pois fora programado para ser minerado até 21 milhões de BTCs até o ano de 2140, gerando escassez e valorização no longo prazo, e essa programação não pode ser alterada. Não possui dono (nem empresas, nem governos), é descentralizado, roda na rede blockcahin, livre das mãos dos governos, políticos, empresários…que é praticamente impossível de ser destruída (pra isso é preciso que 100% dos computadores mineradores do mundo sejam destruídos, o que demanda um gasto de energia incrível). Abraço.
Olá Klaus. Eu acredito que é apenas uma questão de tempo para que Bitcoin e outros criptoativos seja criminalizados. O processo é lento, mas já acontece. De memória eu consigo recordar de países com sérias restrições ou proibições como China, Egito, Qatar e se não me engano a Bolívia. Na Índia já se fala sobre isso. É uma questão de tempo para que os governos comecem a perseguir ou dificultar a vida das pessoas até o ponto que se tornará perigoso ou inviável. É claro que sempre vão existir aqueles que vão continuar, mesmo com proibições e restrições.