É possível que o Banco Central esteja prestes a iniciar um novo ciclo de alta da taxa Selic (taxa básica de juros do país). Como o último ciclo de alta ocorreu entre 2013 e 2015, muitos investidores iniciantes e os mais jovens não vivenciaram essa experiência.

A taxa Selic define a rentabilidade dos investimentos de renda fixa e influencia os preços dos ativos de renda variável como ações e fundos imobiliários.

Clique no gráfico abaixo para ampliar. Ele mostra as variações da meta da taxa Selic entre 2000 e 2021. Os quadros destacam cada ciclo de alta. O número do lado da palavra “barras” representa o número de meses entre o início e o fim da alta. O número com o “d” no final representa um número aproximado de dias. Exemplo: no último ciclo de alta a Selic subiu 7 pontos percentuais, ou seja, de 7,25% ela atingiu 14,25%. O ciclo durou 28 meses ou aproximadamente 852 dias.

Observe que neste período tivemos seis ciclos de Selic em alta e todos envolveram situações de crise econômica e/ou política. Podemos ver que os ciclos mais curtos duraram entre 4 e 8 meses. Os últimos dois ciclos foram mais longos com duração de 15 e 28 meses.

O Banco Central altera a taxa básica de juros com o objetivo de manter a inflação dentro de uma meta. Como você pode ver no gráfico de juros reais logo abaixo, a linha vermelha representa a inflação dos últimos 12 meses, a linha azul é taxa Selic (ligeiramente menor que a meta da Selic) e a linha preta representa o juro real ou aquilo que sobra do juro que remunera o dinheiro depois que descontamos a inflação que tira o valor do dinheiro.

Observe no gráfico acima que o juro real no Brasil é negativo desde julho de 2020. Na página que temos com o ranking dos juros reais (veja aqui) é possível perceber que países emergentes costumam adotar juros reais positivos (taxa básica de juro maior que a inflação) enquanto países ricos e desenvolvidos, que possuem moeda forte, adotam juros negativos.

Quando um país como o Brasil resolve oferecer juros baixos ou negativos, como se fosse uma economia de primeiro mundo, ocorre a desvalorização da sua moeda refletida na alta do dólar. No gráfico abaixo podemos observar que desde 2016, quando se iniciou o ciclo de queda da taxa Selic (de 14,25% até 2%), o dólar se valorizou mais de 73% (ele valia R$ 3,25 em 2016 e já chegou a atingir valores próximos de R$ 6 em 2020). Isso equivale ao empobrecimento de todos que possuem reais pela perda do poder de compra da moeda.

No final da linha do primeiro gráfico do artigo eu desenhei o que seria uma alta da meta da taxa Selic de 2% até 4% no início de dezembro de 2021. Utilizei 4% por ser esta a expectativa aproximada do mercado para a Selic até o final de 2021 no momento em que escrevo este artigo. Você pode descobrir qual é a expectativa do mercado com relação ao juro futuro de duas formas.

  1. Através do relatório Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central (que você pode baixar aqui). Esse relatório é o resultado de uma pesquisa que mostra as expectativas dos principais bancos e instituições financeiras do país sobre qual será o juro, inflação, câmbio, PIB e outros indicadores no futuro. É com base nessas estimativas que essas instituições tomam suas decisões de investimentos.
  2. A outra forma é através dos contratos de juros futuros negociados na bolsa (DI Futuro). Eles são muito utilizados por instituições financeiras como proteção ou mesmo como apostas sobre os juros futuros. Os juros futuros influenciam as taxas de títulos emitidos por bancos, títulos públicos prefixados e indexados pelo IPCA e juros cobrados em empréstimos e financiamentos. Você pode acessar gráficos atualizados do DI futuro aqui.

Logo abaixo temos um gráfico retirado do relatório Focus.

A linha azul mostra qual era a taxa Selic prevista pelo mercado financeiro para o final de 2021 desde abril de 2020. A linha marrom mostra a taxa prevista para o final de 2022. Veja que desde novembro de 2020 as expectativas para a Selic do final de 2021 iniciaram uma trajetória de alta. Isso normalmente sinaliza que o mercado observa mudanças em outras variáveis da economia, como a alta da inflação e do câmbio, que acabará forçando o Banco Central a iniciar o ciclo de alta dos juros.

Logo abaixo temos o gráfico diário do DI Futuro que vence em janeiro de 2022 negociado na bolsa de valores. Você pode acompanhar aqui.

Os juros futuros refletem em tempo real as expectativas do mercado. Expectativas negativas sobre o futuro da economia resultam em alta dos juros futuros. Exemplos: aumento dos gastos públicos, alta do dólar, alta da inflação, crises políticas e decisões envolvendo a taxa Selic que possa produzir mais inflação no futuro ou crises. Juros futuros em alta significa aumento da percepção de risco do mercado com relação ao futuro.

Próximas altas

O Banco Central modifica a taxa Selic através das reuniões do COPOM (Comitê de Política Monetária) que ocorrem a cada 45 dias. Você pode ver todos os últimos resultados do COPOM aqui.

Logo abaixo você tem as datas para as próximas reuniões em 2021, ou seja, faltam 7 reuniões e 7 decisões sobre os juros até o fim do ano. Vamos imaginar que o Banco Central tenha o objetivo de aumentar a Taxa Selic até 4% até o final de 2021, seguindo as expectativas atuais do mercado. Geralmente eles aumentam ou reduzem a Selic em 0,25 pontos ou 0,50 pontos por reunião. Como já vimos, a primeira alta representa o início de um ciclo de várias altas que podem durar meses ou até anos. Veja como seria se ocorresse uma alta de 0,50 pontos na reunião de março e depois outras altas seguidas de 0,25 pontos até completar 4% em dezembro.

  • Selic anterior = 2%
  • 16 e 17 de março = 2,50%
  • 4 e 5 de maio = 2,75%
  • 15 e 16 de junho = 3,00%
  • 3 e 4 de agosto = 3,25%
  • 21 e 22 de setembro = 3,50%
  • 26 e 27 de outubro = 3,75%
  • 7 e 8 de dezembro = 4,00%

Quando o resultado for divulgado pelo Banco Central vou escrever um novo artigo sobre como esse novo ciclo pode afetar os seus investimentos.

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