O ciclo de alta da taxa Selic sofreu mais um avanço atingindo de forma direta ou indireta todos os investimentos de renda fixa e variável.

Neste dia 27/10/2021 o Banco Central aumentou a Selic em 1,5 ponto percentual de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano. No final do comunicado (veja os comunicados aqui) o Banco Central disse: “Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude”, ou seja, na última reunião de 2021 que ocorrerá em 8 de dezembro a Selic deve atingir 9,25% ao ano.

Segundo o comunicado os motivos seriam: “…os prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país.” Recomendo a leitura do artigo que escrevi sobre o teto de gastos.

Fiz um gráfico que apresenta a meta da taxa Selic (linha preta) e a inflação medida pelo IPCA (linha vermelha). A linha pontilhada que presenta a Selic atingindo 7,75% e depois 9,25% em dezembro. Você pode clicar no gráfico para ampliar.

É fácil observar que a inflação está acima da Selic produzindo juros negativos, como se o Brasil fosse uma economia desenvolvida de moeda forte.

Juros reais negativos

O ciclo de alta dos juros ainda não foi suficiente para compensar as perdas com a inflação. Quando deduzimos a inflação de 10,25% ao ano dos 7,75% da Selic anual sobram -2,27% de juro real, ou seja, para esse nível de inflação e juros o investidor terá perda do poder de compra do dinheiro de -2,27% ao ano caso mantenha seu dinheiro rendendo 7,75% ao ano.

De qualquer forma este -2,27% representa uma melhora já que na reunião passada o juro real estava em -3,13% (6,25% – 9,68 = -3,13%). Temos uma calculadora de juros reais aqui.

Na tabela abaixo temos um ranking de juros nominais e reais. O juro real é o que sobra quando deduzimos a inflação dos juros básicos de cada economia.

Podemos ver que são raros os países que entregam juros reais no momento. Isso estimula investidores de todas as nações a realizarem investimentos de maior risco como em ações, fundos imobiliários e outros ativos que possam gerar alguma renda (dividendos) e/ou ganho de capital através da sua valorização.

Poupança

Quando a taxa Selic é inferior a 8,5% ao ano a poupança é remunerada por uma taxa que equivale a 70% da Selic. Com a Selic em 7,75% ao ano a poupança pagará uma remuneração de 5,43% que equivale a 0,4412% mensais. Temos uma tabela com a poupança para diversas taxas Selic (visite aqui).

Taxa DI (CDI) e Taxa Selic do Dia

A taxa DI que é utilizada no cálculo da remuneração de investimentos de renda fixa pós-fixados como CDB, LCI, LCA e outros deve ficar em 7,65% que é ligeiramente abaixo da meta da Selic de 7,75%. A taxa Selic do dia, usada no cálculo da remuneração do título público Tesouro Selic também deve ficar em 7,65%. O rendimento mensal dos pós-fixados que pagam 100% do CDI deve atingir 0,6162% que é a taxa mensal que equivale a 7,65% ao ano.

Prefixados e indexados à inflação

Os juros futuros que remuneram títulos prefixados e indexados ao IPCA sofrem as influências das expectativas dos investidores sobre a inflação e Selic que teremos no futuro. Quando a taxa Selic divulgada pelo Banco Central é a mesma taxa esperada pelo mercado isso significa que os juros futuros já precificam grande parte dessa alteração na Selic. Quando o Banco Central anuncia taxas muito diferentes do consenso, aí sim temos alterações bruscas de expectativas e movimentos mais acentuados nos juros futuros.

Alterações na Selic que produzam alterações nas expectativas para inflação menor no futuro fazem os juros futuros caírem. Já quando alterações na Selic produzem alterações nas expectativas para inflações maiores no futuro os juros futuros tendem a subir.

Ações

Os cálculos que os investidores de longo prazo utilizam para definir um preço justo para as ações considera os juros que eles receberiam (sem risco) em investimentos prefixados ou indexados ao IPCA.

Quanto maior for o juro pago por investimentos de baixo risco, menores devem ser os preços das ações para que sejam atrativas ao ponto de compensarem o risco. O mesmo acontece no caso das ações que pagam dividendos e fundos imobiliários.

As ações que pagam dividendos são menos atrativas e demandadas quando os juros futuros estão em alta. Por este motivo as ações de muitas empresas ficam mais baratas (se ajustam) quando temos um ciclo de alta dos juros futuros.

Aqui no Clube dos Poupadores temos um artigo sobre o cálculo do preço justo de uma ação que considera a taxa de juros. Você verá que quanto maior a Taxa de Desconto, menor o preço justo de uma ação qualquer, sendo essa taxa de desconto a taxa livre de risco que você teria em prefixados + um prêmio que você exige para correr o risco na renda variável.

É importante aprender a avaliar os fundamentos das empresas por conta própria antes de investir. Uma das ferramentas que utilizo e recomendo nos meus estudos e livros é esta aqui.

Fundos Imobiliários

O cálculo do preço justo de um fundo imobiliário também considera os juros livres de risco que podemos obter em títulos prefixados, indexados ao IPCA e mesmo os pós-fixados. Você precisa ser mais seletivo(a) para escolher quais fundos comprar ou manter quando estamos em um cenário de juros em alta e muitas incertezas para o próximo ano. Eu recomendo as ferramentas deste site aqui

Carteira de Investimentos

Inflação em alta, juros em alta e o acirramento das brigas entre os políticos vem degradando os resultados dos investimentos de maior risco enquanto eleva o retorno dos investimentos mais conservadores.

É importante que você comece a preparar a sua carteira de investimentos para o ano eleitoral. Você deve ter reparado que venho escrevendo mais artigos sobre carteiras de investimentos, tendo como base o meu novo livro, e artigos sobre economia para que você possa entender melhor os ciclos econômicos e como se proteger de qualquer situação que possa atingir a economia do país no futuro. Aprenda mais sobre a montagem e simulação de carteiras de investimentos diversificadas e periodicamente reequilibradas.

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