Sem uma reserva de emergência você corre sérios riscos no mundo em que vivemos hoje. Adversidades podem acontecer na vida de qualquer pessoa. Problemas sempre acontecem, só não sabemos quando irão acontecer. Mesmo que você espere que tudo na sua vida dê certo, você sempre deve estar preparado para o pior.

Imagine que acabou de acontecer um imprevisto na sua vida como uma fatalidade, acidente, tragédia, má sorte, injustiça etc. Este imprevisto fez você perder a sua renda mensal ou ela foi reduzida. No mês passado você recebeu o seu salário, mas nos próximos meses ficará sem salário ou com uma renda muito reduzida. Exemplos de situações que podemos imaginar: demissão, acidente, falência do seu negócio, pandemia etc.

Quantos meses você tem antes de quebrar?

Diante deste cenário imprevisível, responda a seguinte pergunta: Por quantos meses você conseguiria manter o seu atual padrão de vida, sem fazer dívidas, sem consignados, sem cheque especial ou sem qualquer tipo de empréstimos até conseguir recuperar a sua renda mensal?

A maioria das pessoas quebraria imediatamente, já que costumam acumular dívidas sem pensar no amanhã. Até para fazer uma dívida é fundamental que você tenha uma boa reserva de emergência.

Diversas pesquisas mostram que o brasileiro possui uma das menores taxas de poupança do mundo. Mais da metade das famílias gastam tudo que ganham. A outra metade usa o dinheiro que sobrou no final do mês para satisfazer desejos imediatos como uma roupa nova, eletrônico que acabou de ser lançado, viagem etc.

São poucos os que conseguem criar e manter uma reserva financeira para eventuais emergências.

Em qual grupo você está?

A maioria, quando o inesperado acontece, acaba recorrendo ao cheque especial, cartão de crédito, empréstimos consignados e outras modalidades de endividamento. Esse comportamento divide a sociedade em dois grandes grupos. O grupo maior de pessoas gasta mais do que ganha e para isso paga juros para fazer empréstimos. O grupo menor é composto por pessoas que gastam menos do que ganham e por isso recebem juros para emprestar dinheiro para os bancos e financeiras que oferecem esses recursos para os clientes que precisam de empréstimos.

Quando você investe em CDB, LCI, LCA, LC ou aplica dinheiro na poupança está emprestando o seu dinheiro para um banco que por sua vez irá emprestar parte desse dinheiro para pessoas que precisam de empréstimos. Ao fazer essa intermediação o banco fica com uma parte dos juros que cobra e assume todo o risco que envolve emprestar o dinheiro.

Em outras palavras, as pessoas que não possuem reservas financeiras e que sempre precisam de empréstimos trabalham para pagar juros para os bancos e para os clientes dos bancos que possuem reservas aplicadas na renda fixa. Enquanto quem pega dinheiro emprestado sem ter reservas corre um enorme risco, quem empresta dinheiro possui proteções, pois empresta dinheiro para uma instituição financeira e ainda possui proteções até determinados limites.

E a diferença entre devedores (que pagam juros) e poupadores (que recebem juros dos devedores por intermédio dos bancos) está no conhecimento sobre como o mundo do dinheiro funciona. Os devedores possuem como principal objetivo conquistar coisas. Os poupadores possuem como objetivo conquistar a independência financeira.

O que os bancos querem que você faça:

Não será o banco que vai motivar você a economizar dinheiro, poupar dinheiro e investir dinheiro para receber juros. Os bancos motivam você a gastar todo o dinheiro que tem para que depois possam emprestar dinheiro para você continuar gastando, enquanto cobra juros.

Bancos estimulam você a gastar mais no cartão de crédito para que você “ganhe” pontos. Bancos motivam você a gastar mais para receber cashback. Bancos motivam você a parcelar suas compra, comprar um carro ou um imóvel financiado e normalmente você acaba comprando bens mais caros do que compraria se não fossem financiados. Bancos querem que você passe a vida inteira trabalhando só para consumir e se endividar, enquanto paga juros e taxas que remuneram os bancos e as poucas pessoas que realmente poupam, investem e recebem parte desses juros.

O que você deveria fazer:

Mudar de mentalidade é simples. Você só precisa investir um pouco de tempo para obter educação financeira. Um livro como o “independência financeira” é um ótimo começo para a mudança de mentalidade. Um livro como o “Como Investir em CDB, LCI e LCA” mostra para você como encontrar e principalmente avaliar os investimentos dos bancos que pagam os maiores juros, considerando o risco de cada banco.

Até antes da pandemia de 2020 os bancos brasileiros estavam no topo da lista dos mais lucrativos do planeta. Depois da pandemia, com a enorme diferença entre os juros pagos nos investimentos e os juros cobrados nos empréstimos, provavelmente continuarão entre os mais lucrativos. Além disso os bancos estão se tornando cada vez mais digitais e essa digitalização representa menos funcionários, menos agências e custos menores. A lista baixo é da Economatica. ROE % 12 meses representa “Return on Equity” ou “Retorno sobre o Patrimônio” nos últimos 12 meses.

Bancos são excelentes quando você empresta dinheiro para eles (e recebe juros por isso) ou quando você se torna sócio dos bancos comprando suas ações na bolsa após selecionar os melhores através de uma análise fundamentalista. Todos os anos os bancos brasileiros distribuem bilhões de reais em dividendos para os donos de suas ações. Você pode escolher entre sustentar os bancos ou ser sustentado por eles. A segunda opção é bem melhor quando você se aprende a poupar e a investir.

Você aprendeu a ser um devedor

O fato é que  durante nossa vida, aprendemos que precisamos depender dos bancos e do crédito para realizar todos os nossos sonhos.

Conquistar através do trabalho, poupança e investimentos é uma possibilidade quase que descartada ou pouco divulgada e motivada. Conheço pessoas que satirizam aqueles que optam por fazer algum sacrifício hoje para comprar o que desejam amanhã com o próprio dinheiro, sem construir dívidas.

A mensagem que o banco quer passar no comercial abaixo é a seguinte: “Solicite nosso dinheiro emprestado e tenha uma família feliz. Você não precisa planejar e muito menos se sacrificar para pagar IPTU, IPVA, matrícula e material escolar no início do ano. Gaste seu dinheiro viajando com sua família e quando ficar sem nenhum fale com seu gerente. Nós temos dinheiro para emprestar de forma rápida e fácil. Você passará o resto do ano pagando juros, só que isto é apenas um detalhe, o importante é ser feliz agora. Deixe o futuro para depois.”

Veja como este tipo de raciocínio, que atenta contra a educação financeira das pessoas, é ensinado para a população utilizando os meios de comunicação:

No próximo comercial a mensagem transmitida é a seguinte: “Se você é aposentado, não possui uma reserva de emergência e nem planejou sua aposentadoria no passado, não fique preocupado. O banco é o seu melhor amigo. Você pode contar com o crédito consignado do banco para ser feliz agora. Veja nas imagens como os nossos clientes são felizes! Não importa se você passará 72 meses pagando juros que irão comprometer sua qualidade de vida ao reduzir a sua renda mensal. O importante é ser feliz hoje!”. Veja como isto é ensinado para as pessoas:

Veja que não importa se os bancos são públicos ou privados. Nas campanhas, os bancos não falam de taxas de juros, prazos, riscos e outras questões relevantes para quem tem educação financeira. Os comerciais exploram questões emocionais que fazem as pessoas tomarem decisões movidas por impulsos. Eles utilizam personagens felizes, famílias felizes e crianças felizes graças ao crédito rápido e fácil que oferecem. Não podia ser diferente. O objetivo destes comerciais é apenas um: elevar os lucros dos bancos, das pessoas que aplicam dinheiro no banco e para todos que possuem ações do banco. A saúde financeira da sua família sempre será um problema seu. É você que precisa fazer algum esforço para se tornar financeiramente educado, de tal forma que entenda que é melhor receber juros, dividendos e lucros dos bancos do que viver trabalhando para pagar juros para os bancos.

Ter uma reserva de emergência é o primeiro passo para que você não dependa dos bancos quando ocorrer algum problema.

Bancos lucram com a diferença entre os juros que pagam aos investidores e o quanto cobram para emprestar o mesmo dinheiro aos outros clientes (isto é chamado de spread bancário). Quanto menor é a poupança das pessoas, mais elas precisam do dinheiro emprestado pelo banco. Quanto maior a ignorância financeira das famílias, mais fácil elas aceitam pagar juros elevados sem questionamentos. Os impostos que o governo cobra dos bancos também colaboram para que o spread bancário do Brasil seja um dos mais elevados do mundo.

Construa a sua reserva

Para não passar a vida toda sustentando os bancos com os frutos do seu trabalho, comece fazendo o básico que é construir uma reserva de emergência. Invista na sua educação financeira, leia alguns livros, aprenda e passe a receber juros e lucros dos bancos.

Antes de fazer uma dívida ou antes de fazer investimentos de maior risco monte a sua reserva para emergências. Se ocorrer algum imprevisto você terá o seu próprio “colchão financeiro” para amortecer a sua queda até que possa se recuperar.

Colchão de ar utilizado pelos bombeiros para que as pessoas possam cair com segurança em caso de uma emergência.

Quanto ter de reserva para emergências:

A sua reserva de emergência deve ser suficiente para manter o seu padrão de vida por no mínimo 6 meses. O ideal seria construir uma reserva para pagar todas as suas contas por até 1 ano ou mais. Exemplo: se você tem uma despesa mensal de R$ 5.000,00 a sua reserva deveria ser entre R$ 30 mil e R$ 60 mil.

Se você não consegue formar reservas por não sobrar nada no final do mês, reveja o seu padrão de consumo. Provavelmente você adotou um estilo de vida mais caro do que o seu salário/renda pode pagar. Neste caso, ou você busca meios de aumentar a sua renda familiar ou você deverá reduzir o seu padrão de consumo.

Funcionário Público: Se você é funcionário público e possui estabilidade no emprego, o risco de perder sua renda por uma demissão é menor. Mesmo assim, existem outras situações inesperadas como doenças, acidentes e todo tipo de imprevistos que podem gerar impacto negativo nas suas contas. Existem prefeituras e estados inteiros que podem enfrentar problemas financeiros e atrasar os pagamentos dos funcionários públicos. A reserva de emergência oferece proteção contra a necessidade de pedir empréstimos, principalmente os consignados que são fartamente oferecidos para funcionários públicos e aposentados.

Funcionário Privado: Quem é funcionário da iniciativa privada deve manter uma reserva de emergência maior. Exemplo: entre 6 e 12 vezes o valor mensal das suas despesas. Você deve avaliar quanto tempo levaria para encontrar um novo emprego se fosse demitido hoje. Existem profissões onde a recolocação é rápida, em outras o tempo de espera pode ser maior. Existem setores que contratam menos durante uma crise financeira. Quanto maior for o seu salário, sua idade e sua qualificação profissional, mais tempo você levará para se recolocar em momentos de crise e por esse motivo maior deverá ser a sua reserva para emergências.

Quem é demitido sem ter nenhuma reserva fica desesperado e corre o risco de aceitar qualquer oportunidade ruim de trabalho que aparecer. Quem possui uma boa reserva de emergência consegue tempo e tranquilidade suficiente para pesquisar novas oportunidades.

Conheci uma pessoa altamente qualificada que trabalhava em um setor específico da indústria brasileira que estava passando por sérias dificuldades. O resultado foi que profissionais altamente qualificados, com altos salários, forma demitidos.

O tempo necessário para este tipo profissional qualificado conseguir se recolocar costuma ser grande. Felizmente esta pessoa sabia desta situação e dos riscos que corria. Ela fez uma boa reserva de emergência quando a situação do mercado estava favorável. Graças a esta reserva a pessoa estava tranquila quando foi demitida. A família não sofreu nenhum impacto financeiro grave. Existiam recursos suficientes para que a família pudesse se manter por mais de 1 ano com as reservas sem fazer dívidas.

Empresários e Profissionais: Os profissionais liberais, autônomos e pequenos empresários precisam ter um cuidado maior com as reservas de emergência. Como pessoa física é fundamental ter reservas e como pessoa jurídica também. Dependendo da atividade onde você atua pode ser necessário manter reservas capazes de manter o seu padrão de vida e a operação da empresa por mais de 1 ano. A atividade empresária é a mais arriscada de todas. Se você é empreendedor, precisa estar preparado para todo tipo de adversidade. Trabalhar alguns meses no prejuízo costuma fazer parte de muitos negócios.

Endividados: Quando você assume dívidas de valor elevado e por prazos muito longos, a reserva de emergência se torna fundamental. Ela que garante o pagamento das parcelas caso você enfrente algum problema financeiro. Quem possui dívidas assumidas para a compra de imóveis e veículos precisa ter uma reserva. Basta ficar poucos meses sem pagar as parcelas para que o banco retome o imóvel ou o veículo para leilão. Atualmente os bancos conseguem tomar e vender o imóvel do devedor com uma enorme facilidade. O mesmo acontece com os veículos financiados. A reserva de emergência evita a perda do bem caso você passe por algum momento de turbulência financeira. Quanto maior a dívida e quanto mais longa for, maiores serão os riscos.

Investidores: Quando você tem investimentos de longo prazo, as reservas de emergência servem para proteger este dinheiro dos acontecimentos inesperados. Vamos imaginar que você está investindo em um título prefixado ou indexado pela inflação com o Tesouro IPCA pensando na sua aposentadoria ou na sua independência financeira. Você comprou títulos que só vencem em 2035 e não pode vender estes títulos, principalmente se as condições não estiverem favoráveis. As reservas seriam utilizadas para proteger o dinheiro que você destinou para a sua aposentadoria. O mesmo acontece se você investir em ações, ETFs e outros investimentos de renda fixa.

Existem pessoas que não conseguem manter dinheiro investido por muito tempo. Elas alegam que sempre acontecem problemas que as obrigam a sacar o dinheiro do investimento. O pior é que podem ocorrer perdas se o investimento for prefixado, possui carência ou sofrer muita volatilidade (renda variável como ações e ETFs).

Para evitar este problema é importante que todo investidor tenha uma parte do patrimônio investido em uma reserva para emergências. Mesmo aqueles que investem em renda variável e títulos prefixados de longo prazo precisam ter reservas aplicadas em investimentos de liquidez diária, pós-fixados, mesmo que isto signifique uma rentabilidade menor.

São estes investimentos mais conservadores e de baixa rentabilidade que oferecem a tranquilidade e segurança para os outros investimentos.

Onde investir a reserva de emergência

Como já falei neste artigo (leia aqui), não existe investimento perfeito. Cada investimento possui pontos fortes e fracos e você deve escolher os investimentos que mais atendem as suas necessidades. No caso da reserva de emergência o mais importante seria a liquidez, ou seja, a velocidade e facilidade com que você pode colocar o dinheiro investido no seu bolso.

Sabendo disto, não podemos dizer que imóveis são bons investimentos para uma reserva de emergência. Se você precisar do dinheiro imediatamente, terá que vender o imóvel por um preço abaixo do praticado pelo mercado para conseguir o dinheiro rapidamente.

O mesmo vale para ações, fundos imobiliários, ETFs, dólares, ouro e títulos públicos prefixados ou indexados pela inflação. Todos esses investimentos costumam perder valor durante as crises ou durante algum período passageiro de pessimismo no mercado. São investimentos que você realiza pensando em prazos mais longos ou no aguardo de um bom ganho de capital após uma tendência de alta mais longa. Uma emergência não vai esperar um bom momento para vender esse tipo de ativo. E para que você tenha tranquilidade e paciência de esperar esse bom momento é importante ter reservas.

Bons investimentos para uma reserva de emergência seriam: Poupança, CDB com liquidez diária e fundos de investimento DI ou de renda fixa pós-fixada.

O título público Tesouro Selic também pode ser usado como parte do dinheiro da sua reserva de emergência, mas você deve entender que esse tipo de título também pode sofrer pequenas variações nas taxas de ágio e deságio. Essas variações se tornam mais evidentes em momentos de crise econômica ou pessimismo generalizado do mercado. Também existem alguns bancos que oferecem LCI/LCA com liquidez diária, mas essa liquidez só está disponível depois de uma carência de 90 dias.

Quando você consegue ter acesso a fundos que oferecem taxas administrativas baixas (0,25% ou menos) pode ser interessante trocar a poupança por fundos DI e fundos de Renda Fixa, especialmente quando a taxa básica de juros está elevada. Quando a taxa básica está muito baixa, os fundos ficam menos atrativos e os CDBs pós-fixados com liquidez diária ficam mais interessantes.

Geralmente os bancos menores oferecem investimentos de renda fixa com juros maiores. É importante aprender a selecionar bons bancos. Também é importante aprender a comparar cada investimento dependendo da situação da taxa de juros e inflação que você terá quando resolver montar a sua reserva de emergência. É uma questão de aprender mais sobre o funcionamento detalhado de cada investimento de renda fixa para tomar decisões sempre que necessário. Nos meus livros sobre educação financeira e investimentos eu falo detalhadamente sobre cada um desses investimentos e ofereço diversos simuladores e planilhas que todo investidor deveria ter.

Sabotagem da sua reserva de emergência

Conheço pessoa que não conseguem manter reservas de emergência por não saberem diferenciar o desejo de consumo da necessidade de consumo. Nem tudo que você deseja é realmente necessário. Na maioria das vezes você mesmo sabota a sua reserva de emergência criando todo tipo de justificativa para que desejos se tornem necessidades.

Recentemente conversei com uma pessoa que possui um iPhone. Ela se convenceu que deve mexer nas suas reservas para substituir o aparelho ultrapassado pela última versão do iPhone que custa mais de R$ 4.800,00. Apesar do iPhone antigo estar funcionando perfeitamente, ela acha que versão nova do aparelho irá melhorar a qualidade do trabalho que desempenha como profissional autônoma (na área de saúde).

Não existe nenhum fundamento lógico que justifique a substituição do aparelho. Não existe nenhum recurso no novo iPhone que esteja faltando no iPhone antigo que possa tornar o trabalho que ela desempenha melhor. Desta forma, o lançamento do novo iPhone não produz uma situação de emergência que justifique comprometer reservas que não foram feitas para isto.

Ela pode realizar desejos de consumo sem comprometer sua reserva de emergência. Basta poupar mais (renunciando outros desejos) ou trabalhar mais horas para realizar o desejo de ter um iPhone de última geração sem comprometer as reservas.

Comprar um smartphone novo seria uma emergência se ela perdesse o iPhone atual ou se ele estivesse quebrado. Mesmo assim ela poderia adquirir um smartphone de outra marca, que custa menos e que possui todas as funções que ela necessita para o seu trabalho, sem comprometer suas reservas de emergência.

Se você tem um carro comprado no ano passado e a montadora acabou de lançar a versão deste ano, não existe nenhuma situação emergencial que justifique mexer na sua reserva de emergência para trocar de carro. Se a marca de roupas que você gosta acabou de lançar uma nova coleção e está oferecendo promoções, isto não é uma emergência. Se a empresa aérea ou a agência de turismo acabou de lançar uma super promoção de férias, isto não é uma emergência. Outro exemplo que já vi era um cidadão que morava em uma casa de R$ 400 mil e acreditava ser uma emergência mudar para um outro imóvel que valia R$ 800 mil (de R$ 900 mil o imóvel estava sendo vendido por R$ 800 mil). Para comprar este imóvel ele teria que vender a casa rapidamente (com perdas) e ainda assumiria uma dívida enorme com o banco. Para quem não possui nenhuma dívida e tem a sorte de ter uma casa própria, comprar um novo imóvel não é uma emergência. Ficar sem reservas seria um grande erro.

A reserva de emergência pode salvar sua vida

Uma vez vi a história de uma pessoa que descobriu ter uma doença degenerativa. Só existia uma possibilidade de parar os efeitos da doença em uma instituição de pesquisa em um país europeu. O tratamento custava mais de R$ 200.000,00, sem contar os custos com a viagem. Quanto mais o tempo passava mais a doença prejudicava seus movimentos. Ela era uma profissional bem sucedida que nunca se preocupou em construir patrimônio ou formar reservas para emergências.

Apesar de ter uma renda elevada, passou a vida toda consumindo tudo do bom e do melhor como carros, eletrônicos, maquiagens, vinhos, restaurantes e viagens. Não se preocupou em ter uma casa própria, não pensou em poupar para o futuro e não tinha nenhum investimento.

Sem ter de onde tirar os R$ 200 mil para fazer o tratamento, teve de pedir ajuda para amigos a parentes. Chegou ao ponto de pedir dinheiro no sinal de trânsito. No final de alguns meses ela conseguiu o dinheiro necessário para o tratamento. Conseguiu retardar os efeitos degenerativos da doença e sobreviveu, apesar de carregar as sequelas pelo tempo que perdeu arrecadando o dinheiro.

Conclusão

É natural que problemas e emergências aconteçam na sua vida. Mas não é natural ficar esperando que eles aconteçam sem ter uma boa reserva para enfrentar boa parte das emergências que poderão acontecer. O dinheiro não pode resolver todos os problemas da vida, mas neste tipo de mundo onde vivemos o dinheiro pode resolver alguns tipos de problemas, pode impedir que eles se agravem ou podem reduzir os riscos e as preocupações quando surgem dificuldades.

A reserva de emergência também tem um efeito psicológico. Você irá dormir mais tranquilo quando existirem apenas rumores de que podem ocorrer problemas no futuro. Esses rumores de crises e dificuldades são cada vez mais comuns na nossa sociedade. Nem sempre os rumores se realizam, mas sempre podem gerar muitas preocupações desnecessárias entre os que não estiverem preparados.

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