Investidores jovens nunca vivenciaram o impacto econômico global que pode ser produzido por um forte ciclo de alta dos juros nos EUA. A moeda americana é a principal do planeta por conta do comércio internacional, investimentos e reservas mantidas por praticamente todos os países. Veremos neste artigo que nas últimas vezes que esses ciclos de alta dos juros aconteceram, tivemos crises econômicas mundiais.

Assista ao vídeo:

Aqui no Clube dos Poupadores temos um gráfico atualizado com a taxa básica de juros efetiva dos EUA (veja aqui).

As setas vermelhas marcam ciclos de alta dos juros (linha azul) que na maioria das vezes resultou em uma crise econômica nos EUA (área cinza). Crises na maior economia do mundo costumam se espalhar por todas as economias. Um exemplo foi a crise de 2008.

Ciclos de alta de juros nos EUA costumam valorizar o dólar no mundo inteiro. Podemos medir essa valorização através de um indicador chamado “Dólar Index” que está em tendência de alta (veja o gráfico aqui e entenda). Dólar valorizado pressiona os preços das commodities como alimentos, combustíveis e praticamente todas as matérias-primas.

Todos os países tendem a subir sua taxa básica de juros quando ocorre uma alta nos juros nos EUA. A ideia é a de reduzir a desvalorização das moedas locais frente ao dólar. Uma forma de controlar a inflação nesses países é a oferta de juros reais positivos (acima da inflação).

No Clube dos Poupadores temos um ranking de juros reais que mostra a taxa básica de juros (nominal) das principais economias, inflação e o juro real que é aquilo que sobra quando descontamos a inflação dos últimos 12 meses da taxa básica de juros de cada país (veja aqui).

Observe que ainda temos juros reais negativos em praticamente todas as principais economias devido a uma inflação elevada e uma taxa básica de juros ainda muito baixa em todas as economias desenvolvidas.

A tabela mostra a inflação passada, mas mesmo considerando as previsões de inflação para os próximos 12 meses, as taxas reais ainda seriam muito baixas. A questão é: até que ponto as empresas e a economia desses países podem suportar um ciclo de alta de juros se todos estavam acostumados e adaptados a taxas reais negativas? Essa é a grande questão.

Juros baixos não estimulam o controle da inflação nos países, pois seu efeito é justamente o contrário. Juros baixos ou mesmo negativos estimulam o consumo e desestimulam o ato de poupar.

A alta nos preços da energia e dos combustíveis nas principais economias, como consequência da guerra, piora a situação da inflação já que a energia cara resulta em produção e transporte mais caro das mercadorias.

É difícil imaginar as consequências de uma taxa básica de juros nos EUA pagando 6% ao ano na economia americana e nos países em desenvolvimento.

Todos os investimentos de renda variável ou de maior risco (como os que existem nos países em desenvolvimento) ficam menos atrativos se você considerar a possibilidade de obter 6% ao ano, com baixo risco, em moeda forte como o dólar. Juros elevados nos EUA atraem recursos do mundo inteiro para os EUA.

Investimentos em países com moeda fraca, como o Brasil, mesmo os de renda fixa, ficam menos atrativos para os investidores quando a renda fixa em dólares for capaz de oferecer juros elevados. Para elevar a atratividade só existe a opção de manter juros reais elevados no Brasil (juro real é juro nominal menos a inflação).

É complicado imaginar um ciclo acentuado de queda nos juros no Brasil, no curto prazo, se os juros nos EUA, países europeus e outras economias estiverem em tendência forte de alta para controle de uma inflação que pode se acentuar com os conflitos e rumores de novas guerras impactando os preços dos combustíveis e energia.

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