As pessoas prestam mais atenção na rentabilidade dos investimentos do que no tempo e no quanto vão investir. Veremos neste artigo que o tempo é o ingrediente que mais potencializa os ganhos de um investimento. Você vai baixar uma  planilha gratuita para simular o impacto da rentabilidade, do valor inicial investido e do tempo no resultado final dos seus investimentos.

Um momento importante na vida de um investidor é o de escolher a melhor aplicação em renda fixa. As pessoas minimamente educadas do ponto de vista financeiro conseguem saber a diferença entre um prefixado, um pós-fixado e um indexado, entendem a forma de aplicação do imposto num investimento e começam a diferenciar uma debênture de um fundo com taxa de administração, por exemplo.

Mas aí chega o dia de a pessoa fazer uma aplicação. Ela abriu conta numa corretora, e percebeu que ali, só de renda fixa, existem mais de 30 possibilidades de aplicação, entre LCs, LCIs, LCAs, debêntures, CDBs e títulos públicos. Cada opção traz o tipo de aplicação, data de vencimento, rentabilidade, quantidade mínima de investimento e outras informações.

Nesse ambiente de muita opção e com muita coisa para ver em cada aplicação, a pessoa tende a se fixar na aplicação que oferece a rentabilidade mais alta. E, nessas, ela pode estar cometendo um deslize.

Primeiro, porque há muitas aplicações que oferecem uma rentabilidade alta, mas com vencimento em 1 ano. Se vence em 1 ano, o imposto será de 20%. Assim, uma aplicação que ofereça um prefixado a 15%, o que é consideravelmente superior à Selic (12,75%) estará dando, na realidade, 12% de rentabilidade líquida (Selic do dia em que o artigo foi escrito pelo autor. Para saber a Selic atual visite aqui).

Mas não é só isso.

Os 3 componentes essenciais de um investimento são: valor aplicado, rentabilidade e tempo. Os dois primeiros recebem bem mais atenção que o terceiro, mas a verdade é que o tempo é o segundo componente mais importante de uma aplicação. Se não for o primeiro.

Fiz um pequeno exercício mostrando isso. Nesse exercício, simulei uma aplicação qualquer e fui variando os 3 componentes.

Primeiro exemplo:

Vamos imaginar um CDB de um banco grande que oferece a rentabilidade de 85% do CDI. Nos cálculos de hoje, podemos dizer que isso dá 10,71% ao ano. A pessoa investiu R$ 5 mil a 10,71% ao ano por 2 anos e, no final desse período, obteve R$ 6.128,35 (sem considerar imposto).

Se aumentar em 10 vezes o valor aplicado (investindo R$ 50 mil), com a mesma rentabilidade e pelo mesmo período, a pessoa vai resgatar R$ 61.283,52. Ou seja, aumentando 10 vezes o montante, o resgate é também aumentado em 10 vezes.

Se aumentasse em 10 vezes a rentabilidade (indo para fantasiosos 107,10% ao ano), a pessoa resgataria R$ 21.445,21. Ou seja, com um aumento de 10 vezes na rentabilidade, o resgate aumentou apenas 3 vezes e meia em relação aos R$ 6.128,35 da composição original.

Porém, se aumentar em 10 vezes o período de investimento (indo de 2 para 20 anos), a pessoa resgatará R$ 38.256,66, o que significa um aumento de 6,2 vezes em comparação com o valor original de resgate:

Neste exemplo, o fator tempo dá um resultado 78% maior que a rentabilidade.

Segundo Exemplo:

Veja este segundo exemplo, logo abaixo:

Imaginemos um CDB prefixado a 16,11%, possível de ser encontrado em bancos de menor envergadura e acessíveis pelas corretoras financeiras. O valor investido é o mesmo (R$ 5 mil), também por 2 anos. Com o aumento da rentabilidade para 16,11%, o valor resgatado é de R$ 6.740,77.

Aumentando em 10 vezes o valor aplicado, o resultado também sobe 10 vezes.

Aumentando em 10 vezes a rentabilidade (161,10% aa), o resultado sobe apenas 5,1 vezes. Subiu mais que no primeiro exemplo (5,1 versus 3,5), mas bem distante do aumento de 10 vezes do valor investido.

O impressionante, no entanto, é o resultado de quando se aumenta em 10 vezes o período de investimento: em 20 anos de aplicação, o valor resgatado é 14,7 vezes maior que o resgate original de R$ 6.740,77. Um aumento de 10 vezes no período provocou um aumento de 14 vezes no resgate.

Essa diferença entre os 2 exemplos se deu pelo aumento da rentabilidade (de 10,71% para 16,11% aa), mas a leitura correta a ser feita é o efeito do tempo nos outros 2 componentes de um investimento. Ou seja, o tempo é um impulsionador do valor aplicado e da rentabilidade.

Quanto mais tempo o dinheiro ficar investido, maior será o resultado. E quanto mais o tempo impulsionar a rentabilidade, maior será o efeito da rentabilidade no valor resgatado.

Prova disso é só misturar os dois exemplos anteriores:

Aumentar a rentabilidade de 10,71% para 16,11% significa um aumento de mais de 50%. Esse aumento de mais de 50% provocou um aumento de apenas 10% no valor a ser resgatado (R$ 6.740,77 versus R$ 6.128,35).

Um aumento de 10 vezes no valor aplicado, entre as opções de 10,71% e 16,11%, também não mexeu na proporção do resultado, dando um ligeiro aumento de 10% no valor a ser resgatado (R$ 67.407,66 versus R$ 61.283,52).

Um aumento de 10 vezes na rentabilidade provocou um aumento de 59% no valor resgatado (R$ 34.086,61 versus R$ 21.445,21).

Já um aumento de 10 vezes no período mais do que dobrou o resultado, provocando um aumento de 159% (R$ 99.165,93 versus R$ 38.256,66).

Uma explicação matemática rápida. Logo abaixo estamos observando a poderosa fórmula dos juros compostos onde o Valor Resgatado (VR) é fruto do Valor Investido (VI) multiplicado pela Rentabilidade (R) e elevado à potência do Tempo (T):

VR=VI.(1+R)T

Sabemos que em matemática a força de uma potência é grande, e é ela que determina o comportamento do restante da fórmula. No caso de uma aplicação financeira, a potência é exatamente o tempo. Isso explica tudo.

Baixar Planilha:

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Os exemplos acima são hipotéticos, já que raramente se encontra um prefixado que dure tanto tempo; com as oscilações da taxa de juros da economia ao longo dos anos, não é interessante ao banco oferecer uma rentabilidade alta como essa por tanto tempo. Mas a mensagem que fica é: à hora de escolher um investimento em renda fixa, é provável que as rentabilidades oferecidas sejam mais ou menos parecidas, então procure escolher as com vencimento mais longo. Não é à toa que debêntures e títulos públicos com vencimento em 2035 e 2050 costumam performar melhor que CDBs. Cada aplicação tem o seu objetivo, mas é bom saber o efeito de cada componente para ajudar a escolher o investimento ideal.

Uma dica igualmente preciosa: se você tem filhos pequenos, tente investir R$ 500 por mês para eles. Numa aplicação a 12% ao ano, quando fizerem 18 anos eles terão mais de R$ 300 mil. Se puderem esperar para resgatar com 30 anos, terão esses R$ 300 mil com mais R$ 1 milhão. Faça simulações no simulador de juros compostos. A expressão “tempo é dinheiro” nunca foi mais verdadeira como na renda fixa.

Nota Importante: Este artigo e a planilha foram criados pelo nosso leitor Fábio Lemos. Em nome de todos os outros leitores receba meu Muito Obrigado!

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