Existem diversos estudos que relacionam a inversões da curva de juros americana e crises econômicas que muitas vezes atingem o mundo inteiro. As inversões são eventos raros em que as taxas de juros prefixadas de curto prazo excedem as taxas de longo prazo.

Um dos primeiros estudos sobre o assunto foi publicado em 1986 por Campbell Harvey. Ele estudou as quatro recessões entre os anos 1960 e 1980, todas ocorridas após uma inversão. Nas três recessões depois do estudo, a curva de juros voltou a se inverter antes do início de cada crise, incluindo a crise financeira global de 2008. Em 2019 ocorreu uma outra inversão, mas logo depois se iniciou a crise da pandemia.

A linha vermelha no gráfico acima é a diferença entre a curva de juros de títulos curtos e longos. Quando a linha vermelha se movimenta na direção de zero isso significa que os títulos com vencimento mais curto estão oferecendo juros cada vez maiores sem que os juros de títulos longos aumentem na mesma proporção. A área cinza representa uma crise econômica (muitas atingiram o mundo todo) que ocorreu algum tempo depois. O número de meses que aparece entre as linhas cinza é o tempo que passou entre uma crise e a outra. Observe que as crises não ocorrem imediatamente depois da inversão. Elas podem levar vários meses ou alguns poucos anos até ocorrerem.

Aqui no Clube dos Poupadores temos um gráfico sempre atualizado da curva de juros americana, veja aqui.

 

A curva de juros invertida é tida por muitos como um mau presságio. As curvas invertidas e as planas estão historicamente associadas a um crescimento lento da economia ou uma recessão.

Existem muitas maneiras diferentes de entender por que a curva de juros é uma ferramenta de previsão útil.

Para muitos investidores o ativo mais seguro do mundo é o título do Tesouro dos EUA de 10 anos. Quando as pessoas acreditam que existe um risco crescente de uma crise ou uma recessão, elas transferem seus ativos para estes investimentos seguros. Isso às vezes é conhecido como um “voo para a qualidade”.

A pressão de compra sobre os títulos mais longos, como os que vencem em 10 anos, eleva os preços. Como você deve saber, quando o preço de um título prefixado é maior isso significa que o seu rendimento será menor até o vencimento.

O rendimento a longo prazo pode ser reduzido a tal ponto que acaba abaixo do rendimento de curto prazo. Assim temos uma curva de rendimento invertida onde títulos com vencimentos mais curtos pagando juros elevados (por estarem baratos) e títulos mais longos pagando juros cada vez menores (por estarem cada vez mais caros).

Dessa forma podemos entender esse movimento dos juros como um indicador de sentimento sobre o futuro da economia e os riscos que podemos enfrentar.

As curvas de rendimento são 90% do tempo ‘normal’ (o que significa que as taxas de longo prazo devem ser maiores que as taxas de títulos de curto prazo).

Em uma recessão, pessoas e empresas comprando menos e por consequência as empresas acabam produzindo e vendendo menos. Isso resulta em queda no PIB, que é o indicador que mede o preço de todos os produtos e serviços produzidos no país.

O crescimento do PIB nos diz sobre o passado. O crescimento dos lucros das empresas nos diz sobre o passado. A taxa de desemprego é um conhecido “indicador de atraso”. Já a curva de juros fornece uma pista sobre o futuro por ter relação com as expectativas.

Quando você compra um título público ou privado, os ganhos que você terá vêm no futuro, na forma de pagamentos de juros e do valor principal investido. Suas decisões estão baseadas nas suas expectativas sobre um futuro que ainda não existem.

A curva de juros não produz uma recessão, mas ela nos fala sobre o “sentimento” ou as expectativas de todos os investidores sobre o futuro da economia.” Muitos acreditam que a inversão da curva de juros possa ser uma profecia autorrealizável.

Você encontra links para acessar os gráficos de curva de juros brasileira aqui.

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